Alpes suíços perdem 20% das geleiras em cinco anos e turistas enfrentam novas restrições para visitar áreas em derretimento acelerado - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Turismo

Alpes suíços perdem 20% das geleiras em cinco anos e turistas enfrentam novas restrições para visitar áreas em derretimento acelerado

Islândia e Patagônia implementam taxas e cotas diárias; monitoramento registra perdas recordes de gelo

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Créditos: depositphotos.com / rcaucino

O som de um trovão distante, mesmo sob um céu azul e sem nuvens, é a trilha sonora de uma paisagem que desaparece. Esse ruído, na verdade, é o desprendimento de toneladas de gelo de uma geleira, um fenômeno cada vez mais comum em destinos como a Patagônia e a Islândia, que agora correm contra o tempo para adaptar seu turismo a uma nova e instável realidade climática em outubro de 2026.

Quais lugares estão mudando mais rápido?

A velocidade do degelo é alarmante e redesenha mapas em tempo real. O Glaciar Perito Moreno, na Argentina, embora ainda impressionante, enfrenta os mesmos desafios de recuo que afetam a região. Na Europa, os Alpes suíços perderam quase 20% de seu volume de gelo nos últimos cinco anos (2021-2026), sendo 5,5% apenas em 2026, segundo o mais recente relatório do Cryosphere Monitoring Switzerland (GLAMOS).

O turismo nessas áreas é prejudicial?

Essa é a grande contradição do chamado “turismo da última chance”. A vontade de ver esses gigantes de gelo antes que sumam gera um fluxo de visitantes que, por si só, contribui para a pegada de carbono que acelera o derretimento. A consciência desse paradoxo tem forçado uma mudança de postura por parte das autoridades locais e dos operadores turísticos.

A questão não é proibir, mas sim controlar e educar. O novo modelo de visitação busca transformar o turista em uma testemunha consciente, não apenas um espectador. A ideia é que a experiência gere um impacto emocional que se traduza em ações práticas de sustentabilidade no dia a dia do viajante.

As medidas são cada vez mais restritivas. Na Islândia, por exemplo, autoridades avaliam a implementação de taxas de preservação para financiar projetos de monitoramento, enquanto o acesso a certas cavernas de gelo já é limitado a pequenos grupos e apenas com guias que seguem rígidos protocolos de segurança e conservação.

Na Patagônia chilena e argentina, parques como o Nacional Torres del Paine e o Nacional Los Glaciares reforçam o controle de visitação com sistemas de agendamento e cotas diárias para minimizar o impacto ambiental. Além disso, aumenta a exigência para que as embarcações turísticas que se aproximam das paredes de gelo cumpram rigorosos protocolos de emissão zero, alinhados às novas diretrizes de sustentabilidade.

Visitar uma geleira em 2026 é testemunhar a história sendo reescrita pela natureza, mas o ingresso para esse espetáculo agora cobra responsabilidade.