Cortada, fervida, exposta a excesso de sal e atirada em água doce: nada disso foi suficiente para matar a água-viva Turritopsis dohrnii nos experimentos da bióloga marinha Maria Miglietta, da Universidade A&M do Texas em Galveston, nos Estados Unidos, reportados pela BBC News.
Conhecida como água-viva imortal, esse ser minúsculo e translúcido consegue escapar de situações adversas ao transformar seu corpo adulto em uma estrutura celular que dá origem a pólipos, estágio inicial de seu ciclo de vida. Esses pólipos formam colônias que podem produzir novas águas-vivas adultas, capazes de repetir o processo de rejuvenescimento.
Crédito: Mathieu Turle/UnsplashA habilidade foi identificada em 1992, quando um pesquisador italiano encontrou pólipos em um recipiente onde esperava encontrar animais mortos após um período sem alimento. Estudos posteriores revelaram que a transformação envolve a transdiferenciação, processo no qual células adultas mudam de especialização e assumem outras funções.
Crédito: Elisha Terada/UnsplashDesde então, pesquisadores investigam os mecanismos genéticos responsáveis por essa capacidade, com o objetivo de compreender melhor o envelhecimento e a regeneração celular. Uma das principais expectativas é descobrir se parte desses processos poderá contribuir para avanços na medicina humana.
Crédito: Pexels/NinariEstudos identificaram na espécie cópias adicionais de genes relacionados ao reparo do DNA e à manutenção dos telômeros, estruturas que protegem as extremidades dos cromossomos. Como essas estruturas tendem a diminuir com a idade, sua preservação pode ajudar a explicar a capacidade de rejuvenescimento do animal.
Crédito: Wolfgang_Hasselmann/PixabayPesquisas também apontaram maior atividade de determinados genes durante as etapas de transformação, embora suas funções ainda não sejam totalmente conhecidas. Alguns desses mecanismos apresentam semelhanças com processos associados à longevidade humana, o que amplia o interesse científico pela espécie.
Crédito: Pexels/Jonathan HidalgoNo futuro, esse conhecimento poderá contribuir para pesquisas sobre a recuperação de tecidos danificados e o tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento. Entre as possibilidades estão novas abordagens para lesões causadas por AVCs, infartos e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Crédito: Small Giant/UnsplashOs cientistas, entretanto, ressaltam que ainda existe um longo caminho até qualquer aplicação segura em seres humanos. O objetivo não é reverter pessoas à infância, mas restaurar células e tecidos que perderam suas funções. Além disso, a água-viva não é totalmente invulnerável: predadores, escassez de alimento e condições ambientais desfavoráveis podem provocar sua morte.
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