Após apostar na tecnologia em salas de aula, Suécia volta atrás e reintroduz livros físicos; saiba por quê

Reconhecida por adotar rapidamente novas tecnologias, a Suécia decidiu rever sua estratégia para a educação básica e recolocar os livros impressos no centro das salas de aula. A mudança representa uma inflexão importante para um país que, ao longo da última década, substituiu progressivamente materiais físicos por computadores, tablets e outras ferramentas digitais.

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Esse modelo ganhou força a partir de 2009 e, poucos anos depois, grande parte dos estudantes já utilizava dispositivos eletrônicos como principal recurso de aprendizagem. Em 2019, até mesmo a educação infantil passou a incorporar tablets de forma oficial.

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O cenário começou a mudar após avaliações internacionais apontarem queda no desempenho dos alunos em compreensão de leitura. Embora os resultados permanecessem acima da média europeia, o recuo levou o governo a reavaliar sua política educacional.

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A decisão teve como base consultas realizadas com pesquisadores, órgãos públicos, especialistas em tecnologia educacional e representantes das redes de ensino. Entre as medidas adotadas estão o fim da obrigatoriedade do uso de recursos digitais nas pré-escolas e a retirada de tablets da rotina de crianças com menos de dois anos.

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Outra medida, prevista para ser implementada até o fim de 2026, é a proibição do uso de celulares nas escolas, inclusive para atividades pedagógicas. Paralelamente, o governo investiu mais de 2,1 bilhões de coroas suecas para ampliar a oferta de livros didáticos e produzir materiais de apoio destinados aos professores.

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A expectativa é consolidar essa nova orientação até 2028, com a adoção de um currículo nacional que fortaleça o ensino de leitura, escrita e matemática por meio de livros impressos. Pesquisadores do Instituto Karolinska sustentam que dispositivos eletrônicos podem desviar a atenção dos estudantes e comprometer a concentração durante as aulas.

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Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em 2026, identificou uma relação entre o uso excessivo de tecnologia em determinadas disciplinas e resultados acadêmicos inferiores, embora reconheça benefícios quando esses recursos são empregados de forma planejada.

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A mudança, porém, divide opiniões. Representantes do setor de tecnologia educacional alertam que limitar o contato com plataformas digitais pode comprometer a preparação dos estudantes para um mercado de trabalho cada vez mais dependente dessas competências.

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Diante disso, o governo sueco pretende ampliar o ensino sobre inteligência artificial nos anos finais da educação, enquanto especialistas defendem que essa formação comece mais cedo para reduzir desigualdades no acesso ao conhecimento digital.

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