Uma árvore nativa do Brasil se transformou em um problema ambiental no Havaí quase dois séculos depois de ser levada ao arquipélago. Introduzido em 1825 como possível fonte de alimento, o araçá-vermelho (Psidium cattleianum) encontrou condições favoráveis para se multiplicar e passou a ocupar extensas áreas de vegetação.
A espécie conseguiu avançar porque deixou para trás parte dos predadores que ajudam a limitar sua população em seu ambiente de origem. Com isso, a planta passou a formar áreas densas e a dificultar a regeneração de espécies nativas.
Crédito: Pexels/Griffin WooldridgeO cenário levou pesquisadores e autoridades havaianas a procurar uma maneira específica de conter a árvore sem provocar novos danos ao ecossistema. A estratégia escolhida utiliza um pequeno inseto brasileiro, o Tectococcus ovatus, que se alimenta apenas do araçá-vermelho.
Crédito: Flickr - Forest and Kim StarrO inseto provoca a formação de galhas nas folhas, estruturas que interferem no desenvolvimento da árvore e reduzem seu crescimento. O Havaí autorizou essa forma de controle biológico em 2012, como alternativa aos métodos químicos e com menor risco para outras espécies.
Crédito: Flickr - Forest and Kim StarrAgora, a tecnologia passou a ter um papel importante na expansão da estratégia. Pesquisadores testaram drones para transportar e distribuir os insetos em áreas onde o acesso das equipes terrestres é difícil. Os resultados, publicados no Journal of Economic Entomology, mostraram uma diferença expressiva na velocidade do trabalho.
Crédito: Pexels/Magda EhlersEnquanto a aplicação manual exigia cerca de 12 minutos para cada árvore, o sistema aéreo reduziu o tempo para aproximadamente 2,8 minutos. A mudança representa uma economia de 77% no período necessário para tratar as plantas.
Crédito: Wikimedia Commons/Krzysztof Ziarnek, KenraizO método também fez aumentar a presença do inseto nas árvores avaliadas: a taxa de colonização passou de 38% para 63% após um ano. Com a experiência, os pesquisadores criaram uma estrutura de maior capacidade chamada Kūhualūlū, projetada para ampliar a distribuição do agente de controle em regiões de difícil acesso.
Crédito: Benjamin R./UnsplashA proposta é reunir aeronaves automatizadas e controle biológico para recuperar áreas afetadas pela expansão do araçá-vermelho. Além de acelerar o trabalho em campo, no futuro a tecnologia pode facilitar ações semelhantes contra outras espécies invasoras em diferentes partes do mundo.
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