Árvores de Natal viram barreiras naturais contra erosão em praias da Inglaterra; entenda

Na costa do condado de Lancashire, região sul de Blackpool, no noroeste da Inglaterra, árvores de Natal descartadas após as festas ganharam uma função inesperada: ajudar na reconstrução de dunas que protegem praias e cidades contra o avanço do mar. Em regiões como Lytham St Annes, voluntários enterram pinheiros naturais na areia para criar barreiras capazes de reter sedimentos levados pelo vento. Aos poucos, os galhos acumulam areia e estimulam a formação de novas dunas costeiras, estruturas naturais importantes para reduzir erosão, ressacas e inundações.

Crédito: Divulgação/Lancashire Wildlife Trust

A iniciativa faz parte do Fylde Sand Dunes Project, projeto ambiental desenvolvido pela Lancashire Wildlife Trust em parceria com autoridades locais e órgãos ambientais britânicos. O trabalho surgiu como resposta à perda acelerada das dunas ao longo dos últimos 150 anos. Segundo os responsáveis pela iniciativa, mais de 80% dessas formações desapareceram devido ao crescimento urbano, à ocupação das áreas litorâneas e às mudanças na dinâmica natural da costa.

Crédito: Divulgação/Lancashire Wildlife Trust

Onde antes existiam extensas faixas de areia e vegetação costeira, hoje permanecem apenas trechos estreitos entre o mar e áreas urbanizadas. As dunas exercem papel fundamental na proteção das cidades costeiras porque absorvem parte da força das ondas e dificultam o avanço da água durante tempestades e marés altas. Em vez de utilizar apenas estruturas rígidas de concreto, o projeto aposta em uma solução inspirada nos próprios processos naturais da praia.

Crédito: Reprodução/Sky News

Após o período natalino, moradores entregam árvores naturais sem enfeites ou materiais sintéticos. Nas praias, equipes técnicas posicionam os pinheiros diante das dunas já existentes. Com a ação constante do vento, a areia fica presa entre os galhos e começa a formar novas elevações ao longo da costa.

Crédito: Reprodução/Sky News

A velocidade desse processo depende das condições climáticas, da intensidade das marés e da quantidade de sedimentos disponíveis na faixa de areia. Nas últimas décadas, a técnica ajudou a ampliar significativamente o sistema de dunas da região de Fylde. Em campanhas recentes, milhares de árvores foram reaproveitadas no projeto.

Crédito: Divulgação/Lancashire Wildlife Trust

Embora a cena de pinheiros enterrados na praia pareça incomum para visitantes, a prática existe há mais de 30 anos e ganhou ainda mais importância diante da elevação do nível do mar registrada no Reino Unido. Estudos apontam que o fenômeno acelerou nas últimas décadas, aumentando o impacto das ressacas sobre regiões costeiras vulneráveis.

Crédito: Reprodução/Sky News

Quando tempestades coincidem com marés elevadas, grandes volumes de água removem areia das praias e desgastam dunas que já estão fragilizadas. Além da proteção costeira, essas formações servem como habitat para inúmeras espécies de plantas e animais adaptados ao ambiente arenoso.

Crédito: Reprodução/Sky News

Gramíneas costeiras ajudam a estabilizar a areia por meio de raízes profundas, enquanto insetos, aves e répteis encontram abrigo nas dunas. O projeto ambiental também participou da reintrodução do raro lagarto-da-areia, espécie ameaçada no Reino Unido.

Crédito: iNaturalist/Fernando Sessegolo

Mais de 400 filhotes criados em cativeiro foram soltos na região desde 2018, e a presença de cascas de ovos e espécimes jovens na vegetação comprova o sucesso da reprodução da espécie nas dunas recuperadas. Embora o gerente de conservação Andy Singleton-Mills ressalte a dificuldade de avistar esses animais devido aos hábitos arredios da espécie, o monitoramento indica uma adaptação positiva ao novo hábitat.

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Apesar dos resultados positivos, especialistas ressaltam que o reaproveitamento das árvores de Natal não resolve sozinho os problemas causados pelas mudanças climáticas e pela erosão costeira. A técnica funciona como medida complementar dentro de estratégias mais amplas de preservação ambiental, recuperação de habitats naturais e adaptação das comunidades litorâneas ao avanço do mar.

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Soluções naturais como a de Blackpool costumam ser mais sustentáveis porque trabalham em conjunto com os processos do meio ambiente, em vez de tentar bloqueá-los completamente. Dunas, manguezais, restingas e vegetação costeira conseguem absorver parte da energia das ondas, reduzir erosões e se regenerar naturalmente ao longo do tempo.

Crédito: Reprodução/Sky News

Já barreiras artificiais de concreto exigem alto custo de construção e manutenção, além de muitas vezes alterarem a dinâmica das correntes e acelerarem o desgaste de outras áreas da costa. Além disso, estruturas naturais também favorecem a biodiversidade, favorecem a criação de habitats para animais e ajudam na preservação do equilíbrio ecológico.

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