Presente diariamente na mesa dos brasileiros, a alface parece um alimento simples de escolher e preparar, mas erros comuns durante a compra, a higienização e o armazenamento podem comprometer tanto o sabor quanto a segurança do consumo. Como a hortaliça normalmente é ingerida crua, sem passar pelo cozimento, qualquer descuido favorece a presença de microrganismos capazes de causar doenças intestinais e outras infecções. Especialistas em nutrição e segurança alimentar consultados pela revista "Casa e Jardim" alertam que a qualidade da salada começa ainda no momento da escolha no mercado ou na feira.
“Os cuidados certos ajudam a garantir tanto a qualidade nutricional quanto a segurança do alimento, conforme orientam os manuais de higiene e manipulação de hortaliças”, explicou a professora do Departamento de Nutrição e Dietética da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense (UFF), Manuela Dolinsky. A seguir, veja as dicas dadas pela revista "Casa e Jardim" para garantir a melhor qualidade possível da alface!
Crédito: Imagem de Petra por PixabayMuitas pessoas priorizam apenas o tamanho do pé de alface ou o preço mais baixo, sem observar sinais importantes de conservação. Folhas amareladas, escuras, murchas ou viscosas indicam início de deterioração e podem revelar maior risco de contaminação. O ideal é escolher folhas firmes, crocantes, limpas e com coloração viva. O talo também merece atenção: ele deve apresentar aspecto verde-claro e textura resistente, sem partes muito moles.
Crédito: Pexels/Michael BurrowsNas versões já cortadas e embaladas, de acordo com Dario Centurione, responsável pelo perfil de dicas SOS Alamanaque, é importante verificar a validade, a refrigeração e a presença excessiva de líquido dentro do pacote, já que a oxidação acontece de forma mais rápida. Fique atento às condições de venda, pois elas também influenciam diretamente na qualidade do alimento.
Crédito: Pexels/Street AriseHortaliças expostas ao sol, ao calor excessivo ou próximas ao chão perdem nutrientes mais rapidamente e ficam mais vulneráveis à proliferação de bactérias e fungos. Outro erro bastante comum aparece durante o processo de lavagem.
Crédito: kazuma0074/PixabayMuitas pessoas acreditam que apenas enxaguar as folhas em água corrente resolve o problema, mas esse processo não elimina adequadamente os microrganismos presentes na superfície da alface. Produtos como vinagre, detergente e bicarbonato de sódio também não garantem higienização eficiente.
Crédito: Pexels/Kampus ProductionA recomendação mais segura envolve o uso de solução com hipoclorito de sódio próprio para alimentos. Após lavar folha por folha em água corrente, a alface deve permanecer submersa por cerca de dez minutos na solução indicada pelo fabricante ou na proporção recomendada por especialistas.
Crédito: Nikolett Emmert/UnsplashDepois disso, é necessário enxaguar novamente em água potável. A direção da lavagem também faz diferença. O correto é lavar da ponta da folha em direção à base, permitindo que resíduos escorram para fora da área consumida. Após a higienização, outro cuidado essencial costuma ser ignorado: a secagem completa das folhas.
Crédito: Pexels/Thanh Long BùiGuardar a alface úmida acelera o escurecimento, reduz a crocância e favorece a multiplicação de fungos e bactérias. O ideal é utilizar centrífugas específicas ou papel-toalha limpo para retirar o excesso de água antes de armazenar. A forma de conservação na geladeira também interfere na durabilidade.
Crédito: Pexels/Ron LachEspecialistas orientam guardar as folhas em recipientes secos e limpos, com camadas de papel-toalha entre elas para absorver a umidade. O papel deve ser trocado periodicamente para evitar acúmulo de água. A gaveta destinada às hortaliças costuma oferecer as melhores condições de temperatura e umidade.
Crédito: Pexels/Kampus ProductionOutro ponto importante envolve a contaminação cruzada. A alface nunca deve ficar em contato direto com carnes cruas, ovos ou outros alimentos que possam transferir bactérias para as folhas. Com cuidados simples, a hortaliça permanece fresca por mais tempo e pode ser consumida com muito mais segurança e qualidade.
Crédito: Daniel Dan outsideclick/PixabayVale lembrar que, além da versão americana mais comum nas saladas, existem diversos tipos de alface consumidos no Brasil, como crespa, lisa, romana e roxa, cada uma com textura, sabor e valor nutricional diferentes. As folhas mais escuras, por exemplo, costumam apresentar maior concentração de vitaminas, fibras e antioxidantes importantes para o organismo.
Crédito: Wikimedia Commons/CostaPPPR