A icônica Casa Batlló, um dos maiores símbolos do modernismo catalão, em Barcelona, na Espanha, passou a oferecer novas experiências ao público em maio de 2026 após concluir um amplo processo de restauração. O projeto, que demandou investimento de aproximadamente 4 milhões de euros, recuperou elementos originais idealizados por Antoni Gaudí e também abriu pela primeira vez à visitação um apartamento histórico localizado no terceiro andar do edifício. O espaço, que permaneceu inacessível ao público durante mais de cem anos, foi ocupado por descendentes da família Batlló até 2019.
Com cerca de 440 metros quadrados, o apartamento mantém características autênticas concebidas por Gaudí em 1906 e é considerado uma das áreas mais preservadas da construção. Segundo os responsáveis pelo projeto, trata-se da única residência do edifício que ainda conserva de forma significativa a atmosfera doméstica criada pelo arquiteto catalão no início do século passado.
Crédito: Divulgação“Abrir este andar significa recuperar uma parte essencial da história da Casa Batlló e compartilhá-la com o mundo. É um espaço que se manteve vivo por mais de cem anos e agora inicia um novo capítulo sem perder sua essência", explicou Nina Bernat, CEO da Casa Batlló
Crédito: Julian Lupyan/Wikimédia CommonsA Casa Batlló é considerada uma das obras mais emblemáticas do arquiteto Antoni Gaudí e um dos maiores símbolos do modernismo catalão. Localizada na elegante Passeig de Gràcia, avenida de luxo de Barcelona, a construção chama atenção imediatamente por sua fachada ondulada e repleta de formas orgânicas que parecem inspiradas na natureza e em criaturas fantásticas. O edifício se tornou um dos cartões-postais mais famosos da Espanha e recebe milhões de visitantes interessados em conhecer de perto a criatividade considerada revolucionária de Gaudí.
Crédito: - Reprodução do flickr Yonca EvrenEmbora hoje seja vista como uma obra-prima, a Casa Batlló não foi construída do zero por Gaudí. O imóvel original havia sido erguido em 1877 pelo arquiteto Emili Sala Cortés. Em 1903, o empresário têxtil Josep Batlló comprou o edifício e cogitou demolir a estrutura para criar algo totalmente novo. Gaudí, porém, convenceu o industrial a reformar o imóvel existente, transformando a construção em uma das obras mais ousadas da arquitetura europeia do início do século 20.
Crédito: Sara Terrones/Wikimédia CommonsO prédio integra a chamada “Illa de la Discòrdia” (“Quadra da Discórdia”), um trecho famoso de Barcelona que reúne edifícios assinados por diferentes arquitetos modernistas catalães. A comparação entre estilos tão distintos em uma mesma avenida ajudou a transformar o local em um dos centros arquitetônicos mais conhecidos da cidade.
Crédito: Reprodução do flickr Oliver GentnerUma das características mais marcantes da Casa Batlló é a ausência quase completa de linhas retas. Gaudí acreditava que a natureza não trabalhava com formas rígidas e, por isso, criou ambientes cheios de curvas, superfícies onduladas e detalhes inspirados em elementos naturais.
Crédito: Massimo Catarinella/ Wikimédia CommonsA fachada principal é revestida por mosaicos coloridos feitos com fragmentos de vidro e cerâmica, técnica conhecida como “trencadís”, muito utilizada pelo arquiteto em outras obras. As varandas lembram máscaras ou caveiras, enquanto as colunas evocam ossos humanos, motivo pelo qual o edifício ganhou apelidos como “Casa dos Ossos”.
Crédito: Reprodução do flickr Ian GamponO telhado é outro dos pontos mais famosos da construção. Muitos estudiosos acreditam que ele representa o dorso de um dragão, referência à lenda de São Jorge, padroeiro da Catalunha. Segundo essa interpretação, a torre com uma cruz simbolizaria a lança do santo atravessando o animal mitológico. Essa mistura entre simbolismo religioso, fantasia e observação da natureza é uma das marcas mais fortes do trabalho de Gaudí.
Crédito: Sara Terrones/Wikimédia CommonsO interior da Casa Batlló também impressiona pela riqueza de detalhes. Escadarias curvas, vitrais coloridos, claraboias e sistemas de iluminação natural foram projetados para criar sensação de movimento e fluidez. O arquiteto ainda desenvolveu soluções inovadoras de ventilação e aproveitamento de luz, consideradas avançadas para a época. Muitos móveis desenhados especificamente para a residência também se tornaram peças históricas de design.
Crédito: Reprodução do flickr Ole M. SteffensenAo longo das décadas, o edifício passou por diferentes usos e chegou a abrigar empresas e moradores. Desde os anos 1990, a propriedade pertence à família Bernat, responsável por um amplo processo de restauração e abertura ao público. Em 1995, a Casa Batlló passou a funcionar oficialmente como atração cultural e turística.
Crédito: DivulgaçãoEm 2005, a Unesco incluiu a Casa Batlló na lista de Patrimônio Mundial como parte do conjunto “Obras de Antoni Gaudí”, reconhecimento concedido a construções consideradas de valor universal excepcional. A entidade destacou a originalidade arquitetônica, a criatividade estrutural e a influência exercida pelas obras do arquiteto catalão na evolução da arquitetura moderna.
Crédito: Reprodução do flickr mchen.travelsAtualmente, a Casa Batlló é vista não apenas como um ponto turístico, mas como um símbolo da identidade cultural de Barcelona e da genialidade de Antoni Gaudí. Sua mistura de arte, engenharia, fantasia e inovação continua atraindo arquitetos, historiadores, artistas e turistas do mundo inteiro interessados em conhecer uma das construções mais originais já criadas.
Crédito: - Reprodução do flickr Rick Schwartz