A retirada de livros de bibliotecas e escolas públicas tem se intensificado nos Estados Unidos e alcançou níveis recordes nos últimos anos. Obras de diferentes gêneros e épocas passaram a enfrentar restrições, incluindo romances contemporâneos de grande sucesso, clássicos da literatura e até materiais utilizados no ensino. Somente em 2025, mais de 5 mil títulos foram removidos de bibliotecas, enquanto quase 7 mil sofreram proibição em escolas públicas. De acordo com profissionais do setor, uma parcela significativa dessas obras aborda temas relacionados à diversidade racial, identidade de gênero e experiências da comunidade LGBTQ+.
Para especialistas, esse movimento está inserido em um cenário mais amplo de polarização política e disputas sobre quais narrativas devem ocupar espaço no debate público. "O que estamos vendo nos Estados Unidos não pode ser separado de um contexto mais amplo de polarização política e de tentativas de redefinir ou controlar as narrativas sobre raça, gênero, identidade e memória histórica", destacou Alicia Quiñones, diretora do PEN Internacional para a América.
Crédito: Susan Q Yin/UnsplashOrganizações ligadas à defesa da liberdade de expressão afirmam que a censura tem sido utilizada como instrumento para restringir o acesso a determinadas perspectivas históricas, sociais e culturais. Levantamentos de livreiros apontam que 92% das campanhas de proibição parte de grupos conservadores que alegam defender os "interesses de pais de alunos". Títulos famosos como "Me Chame Pelo Seu Nome", "O Conto da Aia" e até a Bíblia estão entre os que já foram censurados.
Crédito: Reprodução/InstagramO estado da Flórida aparece frequentemente como o principal centro desse movimento, impulsionado por leis locais e por iniciativas voltadas aos chamados “direitos parentais”. O debate também alcançou o âmbito federal, com medidas defendidas pelo governo e propostas legislativas que buscam limitar o financiamento de escolas que adotem obras com determinados conteúdos.
Crédito: Pexels/wal_ 172619Críticos dessas iniciativas argumentam que elas produzem um efeito de intimidação sobre professores, bibliotecários e instituições de ensino, além de prejudicar o desenvolvimento do pensamento crítico entre os estudantes. O tema inspirou inclusive produções literárias recentes, como o livro “A Biblioteca do Censor de Livros”, finalista do Prêmio Nacional de Literatura dos Estados Unidos em 2024.
Crédito: Magnific/ikaikaA obra descreve uma sociedade em que uma autoridade decide quais livros podem continuar existindo, uma premissa que muitos leitores relacionam aos debates atuais. Fenômenos semelhantes também foram observados em outros países como na Argentina, o que reforça a dimensão internacional da discussão.
Crédito: Pexels/Erik McleanEm resposta às restrições, organizações civis, livrarias e leitores têm promovido campanhas de valorização das obras censuradas, transformando livros proibidos em símbolos da defesa da liberdade de leitura e do acesso à diversidade de ideias. Até mesmo uma hashtag ("Leia livros proibidos") já foi levantada nas redes sociais.
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