“Ekonatura”: projeto em Cabo Verde transforma lixo em carteiras escolares

Em São Francisco, a cerca de 12 quilômetros da Praia, capital de Cabo Verde, o projeto comunitário "Ekonatura" processa em média 100 quilos de vidro e plástico por hora. O material recolhido junto a moradores e empresas parceiras se transforma em carteiras escolares, cadeiras e outros produtos, em um exemplo de economia circular aplicada à educação.

Crédito: Reprodução Facebook

A iniciativa nasceu em 2019 dentro do programa "Raiz Azul" e é conduzida pela Associação Comunitária de Desenvolvimento de São Francisco, em parceria com a EcoCV, a Universidade de Cabo Verde e a indústria local. Depois de uma pausa durante a pandemia, o projeto retomou as atividades entre 2021 e 2022 e seguiu em expansão.

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O processo de reciclagem passa por etapas bem definidas: coleta, triagem, trituração e prensagem a quente. Parte dos equipamentos, como o triturador de vidro, foi fabricada em oficinas de uma escola técnica em São Vicente. O projeto ainda trabalha apenas com o plástico PEAD e não recicla o PET por falta de maquinário específico.

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O produto mais conhecido da Ekonatura é a carteira escolar. Em vez de fabricar o móvel do zero, a equipe recupera estruturas danificadas e substitui encostos e assentos quebrados por peças de plástico reciclado. A produção inclui também cadeiras escolares, contentores de lixo, vasos de plantas e pavês para calçadas.

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O mobiliário produzido já chegou a escolas da região da Praia, com prioridade para a comunidade de São Francisco e presença também em Calabaceira e Castelão. Cerca de 160 cadeiras foram entregues até o momento, e o benefício se reflete diretamente na rotina das salas de aula com falta de estrutura.

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O projeto busca operar com baixo impacto ambiental e apostou em energia solar para parte da operação. Só em vidro, a iniciativa já produziu cerca de 100 toneladas de areia reciclada, resultado de centenas de milhares de garrafas reaproveitadas ao longo dos anos.

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Além da produção de móveis, o projeto promove ações de educação ambiental nas escolas beneficiadas. Um pequeno grupo de voluntários da própria comunidade participa da operação e recebe compensação modesta, o que une geração de renda, inclusão social e conscientização em uma só frente de trabalho.

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A Ekonatura enfrenta limitações de recursos financeiros e de maquinário, o que reduz sua capacidade de atender à demanda. Entretanto, com mais investimento e parcerias, o projeto poderia extender a reciclagem para outros tipos de plástico, levar o modelo a mais escolas do arquipélago e comercializar mais produtos.

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