Japão tem milhões de casas vazias por causa da baixa natalidade

O Japão enfrenta uma crise imobiliária provocada pela queda constante da população. O país tem quase 9 milhões de casas vazias, número que representa 14% do total de residências. Esse número significa que uma a cada sete casas estão vazias, segundo o censo de 2023.

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Essas casas vazias são conhecidas como "akiya" no Japão. O termo geralmente se refere a residências abandonadas em áreas rurais, mas um número crescente delas também tem sido encontrado em grandes cidades, como Tóquio e Kyoto. A raiz do problema é demográfica.

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A taxa de natalidade do Japão tem oscilado em torno de 1,3 filho por mulher há anos. Para manter a população estável, porém, o número ideal seria 2,1 de filhos por mulher. Além disso, em 2024, 29% da população japonesa tinha mais de 65 anos, segundo dados oficiais. Assim, o número de mortes em 2023 foi de 1,58 milhão, enquanto nasceram 730 mil japoneses. Até 1º de janeiro de 2024, a população do Japão era de 124,9 milhões.

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O governo japonês tem feito esforços ao longo dos anos para estimular o número de nascimentos. Oferece, por exemplo, subsídios governamentais para casais que desejam ter filhos, além de auxílios com educação e saúde. Tem até aplicativo de namoro, mas o país tem fracassado nas tentativas de estimular o aumento na taxa de natalidade.

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Destaca-se também, sobre o esvaziamento desigual que ocorre no território japonês. Enquanto Tóquio e poucas outras metrópoles continuam atraindo moradores, muitas regiões do interior enfrentam um despovoamento acelerado, com jovens migrando em busca de trabalho, estudo e serviços. O resultado são bairros e vilarejos ocupados majoritariamente por idosos, com escolas fechadas e comércio reduzido.

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A herança das propriedades também contribui para o acúmulo de casas vazias. No Japão, muitos imóveis permanecem em disputa por herdeiros, o que trava legalmente sua venda ou ocupação. Boa parte dessas casas pertence a famílias que vivem em outras cidades e não têm interesse em morar ou investir na manutenção do imóvel.

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Diante do problema, alguns municípios adotaram medidas mais rígidas. A cidade de Yokosuka, por exemplo, cobra taxas adicionais sobre imóveis desocupados por mais de cinco anos e já demoliu mais de 500 deles desde 2015. Outras prefeituras optaram por incentivos, como subsídios para reforma e ocupação das akiya por famílias jovens ou estrangeiros.

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As projeções indicam que o cenário deve se agravar nas próximas décadas. Entretanto, a crise pode abrir espaço para novos negócios e imigrantes. O governo, inclusive, tem incentivado a imigração, que vem aumentando para suprir as necessidades do país. A quantidade de estrangeiros no Japão aumentou para mais de 3,3 milhões de pessoas.

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