Muito além das invasões: descobertas revelam quem eram os vikings

Os vikings marcaram a história europeia muito além das famosas incursões marítimas. Originários principalmente das regiões que hoje correspondem a Dinamarca, Noruega e Suécia, foram navegadores, comerciantes, agricultores e exploradores. Entre o fim do século VIII e o século XI, expandiram suas rotas e deixaram uma influência que ainda hoje é revelada por novas descobertas arqueológicas.

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Nos últimos anos, novas descobertas arqueológicas têm ampliado o conhecimento sobre a Era Viking e as antigas sociedades nórdicas. Escavações realizadas na Escandinávia revelaram sepulturas, embarcações, joias, moedas e vestígios de assentamentos. Esses achados ajudam os pesquisadores a compreender melhor o cotidiano, os costumes e as redes comerciais daquele período.

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Arqueólogos ligados à Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) identificaram vestígios de um antigo sepultamento com navio na ilha de Leka, na Noruega. A embarcação foi enterrada por volta do ano 700, pouco antes da Era Viking. Evidências encontradas no local indicam que o navio provavelmente tinha mais de 20 metros de comprimento.

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O britânico Trevor Penny encontrou uma antiga espada viking enquanto praticava pesca magnética no rio Cherwell, em Oxfordshire, na Inglaterra. A descoberta ocorreu em novembro de 2023 e foi divulgada internacionalmente em 2024. Especialistas dataram a arma entre 850 e 975 d.C., em plena Era Viking.

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A espada foi encontrada no rio Cherwell, em Oxfordshire, afluente do Tâmisa, e acabou encaminhada para avaliação de especialistas. Na Inglaterra, achados arqueológicos que atendem aos critérios do Treasure Act devem ser comunicados às autoridades. A peça encontrada por Trevor Penny ficou sob os cuidados do Oxford Museum.

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Arqueólogos da Universidade de Stavanger identificaram na ilha de Klosterøy, na Noruega, vestígios do que pode ter sido um mercado da Era Viking. O georradar revelou possíveis oficinas, além de fundações de cais ou abrigos para barcos. Moedas e pesos encontrados na região reforçam a hipótese de que o local foi um importante centro de comércio.

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Na Ilha de Man, duas antigas cruzes de pedra foram descobertas após uma tempestade derrubar parte do muro do cemitério da Igreja de St. Patrick, em Jurby, em 2022. Uma delas data de cerca de 600 d.C., enquanto a outra pertence provavelmente ao século XI, período viking. As peças estavam incorporadas à parede havia cerca de 200 anos sem serem identificadas.

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Segundo o Manx National Heritage, as cruzes de pedra da Ilha de Man estão entre os principais legados da antiga fé cristã e da presença viking na região. Os monumentos combinam elementos cristãos com influências da cultura escandinava. Algumas peças apresentam ainda inscrições e imagens relacionadas à mitologia nórdica. ,

Crédito: Reprodução do vídeo da BBC News

Os vikings expandiram sua presença por meio de expedições marítimas realizadas em seus célebres navios, conhecidos como longships. A Era Viking é geralmente situada entre o fim do século VIII e meados do XI, tendo o ataque a Lindisfarne, em 793, como um de seus marcos iniciais. Na Inglaterra conquistaram extensos territórios, enquanto na Irlanda estabeleceram importantes centros, como Dublin.

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A presença e os assentamentos escandinavos deixaram marcas culturais e genéticas nas populações das Ilhas Britânicas, especialmente em partes da Inglaterra e da Irlanda. Mosteiros e igrejas foram alvos frequentes das primeiras incursões vikings por concentrarem riquezas e terem pouca proteção. Como muitos relatos da época foram escritos por religiosos, consolidou-se uma imagem dos vikings como pagãos violentos e cruéis.

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O monge e erudito Alcuíno interpretou o ataque viking ao mosteiro de Lindisfarne, em 793, como uma possível punição divina pelos pecados da população. Nas décadas seguintes, os navegadores escandinavos ampliaram suas incursões por outras regiões da Europa. A Frância Ocidental tornou-se um dos principais alvos, com ataques a cidades como Rouen e Paris. �

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Em 845, após invadirem Paris, os vikings receberam de Carlos, o Calvo, cerca de 7 mil libras de prata e ouro para deixar a região. Já em 911, Carlos, o Simples, concedeu terras no baixo Sena ao líder Rollo, dando origem à Normandia, nome relacionado aos “homens do norte”. Em troca, Rollo tornou-se aliado do rei e assumiu o compromisso de proteger a região contra novos ataques vikings.

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Os vikings seguiam uma religião politeísta, cultuando divindades como Odin, Thor, Freyr e Freyja, enquanto Loki ocupava papel importante nas narrativas mitológicas. Grandes cerimônias coletivas, chamadas blót, incluíam oferendas e banquetes em determinadas épocas do ano. Entre as celebrações estava o Yule, festa de inverno associada a pedidos de prosperidade, fertilidade e bons tempos.

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O Yule era uma antiga celebração nórdica de inverno marcada por banquetes, sacrifícios e brindes aos deuses, aos mortos e à prosperidade. Com a cristianização da Escandinávia, tradições dessa festividade foram gradualmente incorporadas às celebrações do Natal. Esse processo ganhou força entre os séculos X e XI, à medida que o cristianismo se consolidava entre os povos nórdicos.

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A sociedade viking era hierarquizada, com reis e chefes locais no topo, embora a organização política variasse entre as diferentes regiões escandinavas. Os karls eram homens e mulheres livres, incluindo agricultores, artesãos e comerciantes. Na camada inferior estavam os thralls, pessoas escravizadas que podiam ser capturadas em guerras e incursões, nascer nessa condição ou tornar-se escravas por outros meios.

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A agricultura e a criação de animais estavam entre as principais atividades econômicas e garantiam a subsistência de grande parte da população na Era Viking. O artesanato também tinha destaque, com a produção de objetos de madeira, metal, tecido e outros materiais. Já o comércio marítimo conectava a Escandinávia a diferentes regiões da Europa e até a áreas mais distantes.

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A presença viking deixou marcas duradouras em diferentes regiões da Europa, especialmente nas Ilhas Britânicas e na Normandia. Suas viagens contribuíram para ampliar rotas comerciais, contatos culturais e intercâmbios entre povos distantes. Hoje, descobertas arqueológicas continuam revelando novos detalhes sobre essa influência e o modo de vida dos antigos escandinavos.

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