Um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius resultou em três mortes e ligou o alerta de autoridades de saúde pelo mundo. A viagem, que partiu da Argentina no dia 1º de abril, tinha como destino Cabo Verde, na costa africana. O primeiro caso foi um holandês de 70 anos que adoeceu no dia 6 de abril e morreu cinco dias depois, com insuficiência respiratória, enquanto o navio navegava pelo Atlântico Sul. Sua esposa, que também apresentava sintomas, desembarcou em Santa Helena com o corpo do marido, piorou durante o voo para a África do Sul e morreu em um hospital no dia 26 de abril.
Um terceiro passageiro, um britânico, foi evacuado para a África do Sul e precisou ser internado na UTI. Uma mulher alemã morreu a bordo no dia 2 de maio, também com sintomas de pneumonia. A doença demorou semanas para ser confirmada por exames realizados na África do Sul, o que dificultou a identificação inicial do problema. Embora apenas dois casos tenham sido oficialmente confirmados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trata a situação como surto.
Crédito: Reprodução/SBTA cepa identificada nos casos confirmados é o vírus dos Andes, variante encontrada principalmente na Argentina e no Chile — suspeita-se que o casal holandês tenha sido exposto antes de embarcar, durante viagem pela América do Sul. Até o dia 6 de maio, o navio permanece retido na costa de Cabo Verde à espera de autorização para seguir rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, onde deve ser recebido a pedido da OMS e do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.
Crédito: Reprodução/SBTAlém dos três passageiros que morreram, outros três foram evacuados do navio e seguiram a caminho da Holanda, incluindo o médico da embarcação. Além disso, um caso adicional foi confirmado na Suíça — um homem que desembarcou durante uma escala em Santa Helena e retornou ao país no fim de abril.
Crédito: Reprodução/SBTAo contrário de outros tipos de hantavírus, essa cepa pode, em casos raros, ser transmitida de pessoa para pessoa, principalmente por contato próximo. Ainda assim, a OMS classifica o risco global para a saúde pública como baixo. A chegada do navio às Ilhas Canárias gera preocupação entre autoridades locais, que temem possíveis impactos à população.
Crédito: Reprodução/YouTube AFPOs hantavírus são vírus transmitidos por roedores que podem causar duas formas graves de doença em humanos: a síndrome pulmonar, que afeta os pulmões, e a febre hemorrágica com síndrome renal, que compromete os rins. Algumas variantes da síndrome pulmonar têm taxa de letalidade de até 40% ou mais. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores, geralmente em ambientes fechados ou mal ventilados.
Crédito: Divulgação/CDCA transmissão entre humanos é rara, com exceção do vírus dos Andes, cepa sul-americana que já demonstrou essa capacidade em surtos limitados — e que está no centro do caso do navio MV Hondius. Os sintomas iniciais lembram os de uma gripe comum, com febre, fadiga, dores musculares e dor de cabeça, mas podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória grave, com acúmulo de líquido nos pulmões.
Crédito: jcomp/FreepikO período de incubação varia de uma a oito semanas. Casos graves exigem internação em UTI, com suporte de oxigênio ou ventilação mecânica. Não existe tratamento antiviral específico nem vacina amplamente disponível — o manejo é de suporte, focado no controle dos sintomas e das complicações.
Crédito: PixabayO surto no navio é considerado incomum porque as infecções por hantavírus costumam ocorrer em casos isolados e em ambientes rurais, com contato direto com habitats de roedores. Investigadores tentam determinar onde ocorreu a exposição — se antes do embarque, durante excursões em terra ou a bordo.
Crédito: Reprodução/Record NewsO hantavírus não é uma novidade no Brasil. Nos últimos dez anos, o país registrou 457 casos confirmados e 189 mortes pela doença, o que representa uma taxa de letalidade de 41% — índice elevado e que reflete a gravidade das formas mais severas da infecção. Em 2026, já foram confirmados seis casos e um óbito no país.
Crédito: Centros de Controle e Prevenção de Doenças/DivulgaçãoApesar do cenário alarmante no cruzeiro, os dados brasileiros mostram uma tendência de queda no número de casos e mortes ao longo da última década. A distribuição dos casos, no entanto, é bastante desigual entre as regiões do país. O Sul concentra o maior número absoluto de infectados e óbitos: foram 238 casos confirmados e 77 mortes entre 2016 e 2025, com letalidade de 32,3%.
Crédito: Wikimedia CommonsA região Nordeste, por sua vez, registrou apenas três casos e dois óbitos no mesmo período, mas apresenta a maior taxa de letalidade regional, de 66,6% — o que indica que, embora raro na região, o vírus se mostra particularmente letal quando ocorre.
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