Objeto mais distante da Terra: NASA aposta em manobra ‘Big Bang’ para manter Voyager 1 ativa no espaço profundo

A Voyager 1, objeto construído por humanos mais distante da Terra, teve o instrumento de Partículas Carregadas de Baixa Energia (LECP) desativado pela NASA com o intuito de economizar energia e prolongar sua missão no espaço interestelar. O desligamento ocorreu em abril, após uma queda inesperada nos níveis de energia que ameaçava acionar o sistema automático de proteção contra falhas da sonda, o que interromperia a transmissão de dados científicos. Essa mesma medida já havia sido adotada na sonda gêmea Voyager 2 em março de 2025.

Crédito: Divulgação/NASA

Com o desligamento do LECP, a Voyager 1 irá operar por cerca de mais um ano com apenas dois instrumentos ativos, que medem ondas de plasma e campos magnéticos. Lançadas em 1977, as duas sondas ultrapassaram há décadas sua expectativa inicial de funcionamento, que era de apenas cinco anos. Para manter as espaçonaves ativas, os engenheiros precisam desligar gradualmente instrumentos e aquecedores, já que os geradores nucleares perdem potência a cada ano.

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Uma novidade é que a NASA pretende testar uma atualização chamada “Big Bang”, que poderá reduzir ainda mais o consumo de energia e talvez permitir a reativação de alguns equipamentos científicos. A proposta consiste em fazer uma grande reorganização elétrica dentro das espaçonaves desligando componentes antigos que consomem muita energia e transferir certas funções para alternativas mais econômicas. O primeiro teste será na Voyager 2, porque ela está mais próxima da Terra e possui um pouco mais de energia disponível.

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Lançada pela NASA em 5 de setembro de 1977, a sonda Voyager 1 permanece como um dos maiores feitos da engenharia espacial e da exploração humana. O principal objetivo da missão consistia no estudo dos gigantes gasosos do Sistema Solar, especialmente Júpiter e Saturno, além de suas luas, anéis e campos magnéticos.

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A sonda faz parte do programa Voyager, que também lançou a Voyager 2 poucos dias antes. Embora a Voyager 2 tenha sido lançada primeiro, a Voyager 1 seguiu uma trajetória mais rápida e acabou ultrapassando a companheira. A nave utilizou um raro alinhamento planetário que ocorre apenas uma vez a cada 175 anos, fato que permitiu uma economia extraordinária de combustível graças à assistência gravitacional dos planetas.

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Em 1979, a Voyager 1 realizou uma aproximação histórica de Júpiter e registrou imagens detalhadas da Grande Mancha Vermelha, das tempestades atmosféricas e da intensa atividade vulcânica da lua Io, a primeira observação de vulcões ativos fora da Terra.

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Em 1980, a sonda alcançou Saturno e revelou informações inéditas sobre os anéis do planeta, além de estudar a atmosfera da lua Titã. Após esse encontro, a missão principal chegou ao fim, mas a NASA decidiu prolongar a operação da Voyager em direção ao espaço interestelar. As imagens enviadas na época revolucionaram a astronomia planetária e impressionam até hoje!

Crédito: Divulgação/NASA

Em 2012, a Voyager 1 atravessou a heliosfera, região dominada pelo vento solar, e entrou oficialmente no espaço interestelar, tornando-se a primeira espaçonave da história a atingir essa área até então desconhecida. Mesmo tão distante, a nave ainda envia sinais para a Terra, embora as transmissões levem mais de 22 horas para chegar ao nosso planeta.

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A comunicação ocorre por meio da Deep Space Network, um conjunto de antenas gigantes distribuídas em diferentes continentes. A velocidade da Voyager 1 ultrapassa 60 mil quilômetros por hora, e sua distância da Terra ainda cresce continuamente.

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A eletricidade da nave vem de geradores termoelétricos alimentados por plutônio, tecnologia que permitiu décadas de funcionamento em um ambiente extremamente hostil. Além disso, outro elemento famoso da missão é o Disco de Ouro, um registro fonográfico criado para representar a diversidade cultural e biológica da Terra caso a nave seja encontrada por civilizações extraterrestres.

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O disco contém músicas de diferentes culturas, sons da natureza como chuva, canto de pássaros e risadas humanas, imagens da Terra, mensagens em dezenas de idiomas — incluindo português — e informações científicas sobre a humanidade. A Voyager 1 também transporta informações sobre a localização do Sistema Solar por meio de um mapa baseado em pulsares.

Crédito: NASA/JPL

Outro feito impressionante da Voyager 1 foi a famosa fotografia conhecida como "Pálido Ponto Azul", um registro da Terra capturado em 14 de fevereiro de 1990 a cerca de 6 bilhões de quilômetros de distância que transformou a percepção da humanidade sobre sua própria fragilidade no vasto cosmos.

Crédito: NASA/JPL-Caltech

Ao longo das décadas, a sonda enfrentou falhas técnicas, perda gradual de energia e desafios relacionados ao envelhecimento de seus sistemas eletrônicos, mas engenheiros da NASA conseguiram manter a missão ativa por muito mais tempo do que o previsto originalmente. Cientistas estimam que alguns instrumentos ainda possam operar até o fim desta década.

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Depois disso, a Voyager 1 continuará sua jornada silenciosa pela Via Láctea por milhares de anos, mesmo sem capacidade de comunicação. A nave seguirá em direção à estrela Gliese 445 e levará consigo um retrato simbólico da humanidade para regiões jamais alcançadas por qualquer outra missão espacial.

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