O assunto exorcismo está em alta no Brasil. Depois de uma arquidiocese do interior de São Paulo nomear o seu primeiro padre exorcista da história, foi a vez da Diocese de Caxias do Sul passou a contar oficialmente com um sacerdote responsável pelo Ministério do Exorcismo.
A função foi assumida pelo padre Daniel D'Agnoluzzo Zatti em julho. Pároco da Igreja São Ciro, em Caxias do Sul, ele recebeu a missão do bispo dom José Gislon e já começou a atender pessoas que procuram orientação diante de experiências que consideram incomuns.
Crédito: Reprodução/RBS TVO trabalho, porém, está longe das cenas de terror retratadas pelo cinema e tem como principal objetivo acolher, investigar e discernir cada situação. Antes de qualquer rito religioso, o sacerdote busca identificar se existe uma causa natural para os relatos apresentados pelos fiéis.
Crédito: Reprodução/RBS TV"Não é como o dos filmes. O ritual só acontece depois de um processo minucioso", explicou. Para isso, conta com o apoio de psiquiatras, psicólogos, neurologistas e outros profissionais da área da saúde. Apenas quando não surge uma explicação plausível dentro desses campos é que uma possível intervenção religiosa entra em avaliação.
Crédito: Reprodução/InstagramSegundo Zatti, somente entre 5% e 10% das pessoas que procuram esse tipo de atendimento chegam à etapa final do processo. Ao programa "Razões da Fé", ele explicou que a Igreja Católica considera o demônio uma realidade espiritual e, dentro de sua tradição, entende essas entidades como "anjos que se rebelaram contra Deus".
Crédito: Reprodução/RBS TVO padre também diferencia a concepção religiosa das imagens populares de figuras com chifres, que ele classifica como elementos do imaginário e do mito. Zatti explicou que a tradição católica reconhece três formas extraordinárias de ação atribuídas ao maligno: obsessão, vexação e possessão.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisNa interpretação apresentada pelo sacerdote, a possessão afeta o corpo sem retirar da pessoa sua consciência ou liberdade, enquanto a vexação estaria associada a sofrimentos físicos atribuídos a uma causa sobrenatural. A obsessão, por sua vez, envolveria pensamentos recorrentes e forte repulsa a elementos da fé, mas essa é especialmente difícil de identificar.
Crédito: Reprodução/Redes SociaisEm qualquer uma dessas situações, a investigação científica continua como parte essencial do discernimento. O próprio padre alerta que dificuldades familiares, financeiras, profissionais ou relacionadas à saúde podem levar alguém a interpretar problemas comuns como resultado de uma ação sobrenatural.
Crédito: Reprodução/Redes Sociais"É imprescindível o papel da psiquiatria, da psicologia, da medicina, das neurociências", explica o padre. Quando o chamado "Exorcismo Maior" é considerado necessário, o rito ocorre em nome da Igreja e com acompanhamento de uma equipe, sempre com absoluto sigilo.
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