Paul McCartney comparou o fim dos Beatles, em 1970, à perda do único emprego. Em conversa com o produtor e diretor de cinema Judd Apatow, publicada pela revista “Variety”, o músico afirmou que a separação provocou um vazio imediato em sua vida. “O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles terminam, esse foi o único trabalho que você teve e, então, você não o tem mais. É como se tivesse sido demitido”, declarou. Segundo McCartney, a sensação foi especialmente difícil após anos de convivência diária com John Lennon, George Harrison e Ringo Starr.
O músico contou que enfrentou o período de isolamento recorrendo à bebida, enquanto vivia com seus familiares. “Comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada”, relatou. McCartney também descreveu como assustadora a experiência de seguir sem a união que existia dentro dos Beatles e disse que precisou encontrar uma maneira diferente de continuar sua carreira. Nesse processo, Linda McCartney teve papel importante, oferecendo apoio e espaço para que o marido lidasse com o fim da banda.
Crédito: Reprodução/nstagram @paulmccartneyNascido em Liverpool, na Inglaterra, em 18 de junho de 1942, Paul McCartney começou a se interessar por música ainda na adolescência. Em 1957, conheceu John Lennon, então integrante do Quarrymen, grupo ao qual posteriormente se juntou. A entrada de George Harrison completou o núcleo que daria origem aos Beatles, enquanto Ringo Starr assumiria a bateria em 1962. A banda rapidamente conquistou o público britânico e, pouco depois, alcançou projeção mundial. McCartney se destacou como baixista, cantor e compositor, formando com Lennon uma das parcerias mais conhecidas da história da música popular.
Crédito: Reprodução/Sony PicturesDurante a década de 1960, os Beatles lançaram álbuns que ampliaram as possibilidades do rock e influenciaram gerações de músicos. McCartney participou da composição de sucessos como “Yesterday”, “Hey Jude”, “Let It Be” e “Eleanor Rigby”, entre diversas outras canções. A banda encerrou suas atividades em 1970, depois de anos marcados por enorme sucesso comercial e crescente transformação artística. No mesmo ano, McCartney lançou seu primeiro álbum solo, simplesmente intitulado “McCartney”. O trabalho foi gravado praticamente sozinho pelo músico e marcou o início oficial de uma extensa carreira independente.
Crédito: DivulgaçãoEm 1971, McCartney formou o Wings ao lado de Linda e do músico Denny Laine. A banda atravessou diferentes formações e alcançou grande repercussão durante os anos 1970, especialmente com o álbum “Band on the Run”, lançado em 1973. Outros trabalhos, como “Venus and Mars” e “Wings at the Speed of Sound”, também tiveram destaque nas paradas internacionais. O grupo realizou grandes turnês e ajudou McCartney a se estabelecer artisticamente depois do fim dos Beatles. O Wings encerrou suas atividades em 1981, mas o músico continuou produzindo e se apresentando como artista solo.
Crédito: Capitol Records/Wikimedia CommonsAo longo das décadas seguintes, McCartney trabalhou com artistas de diferentes gerações e estilos musicais. Entre seus parceiros estão Stevie Wonder, Michael Jackson, Elvis Costello e Rihanna, além de outros nomes da música internacional. Além disso, dividiu o palco com nomes como Bruce Springsteen. Ele também desenvolveu o projeto eletrônico “The Fireman”, em parceria com o produtor Youth, explorando uma sonoridade diferente daquela de seus trabalhos mais conhecidos. Paralelamente, manteve uma carreira solo marcada por novos discos e turnês. Sua produção posterior ampliou o repertório construído durante os anos de Beatles e Wings.
Crédito: DivulgaçãoA vida de McCartney também esteve profundamente ligada a Linda, com quem se casou em 1969. Além de acompanhá-lo musicalmente no Wings, ela atuou como fotógrafa e desenvolveu trabalhos relacionados à alimentação vegetariana e à defesa dos animais. O casal teve quatro filhos, entre eles a estilista Stella McCartney, que posteriormente construiu carreira internacional na moda. Linda morreu em 1998, aos 56 anos, após enfrentar um câncer de mama. A perda encerrou uma parceria pessoal e profissional que havia acompanhado McCartney durante boa parte de sua trajetória pós-Beatles.
Crédito: Jim Summaria/Wikimedia CommonsA carreira de McCartney recebeu diversos reconhecimentos ao longo de mais de seis décadas. Ele entrou no Hall da Fama do Rock and Roll como integrante dos Beatles, em 1988, e voltou a ser homenageado como artista solo, em 1999. Também recebeu múltiplos prêmios Grammy, um Oscar e o título de cavaleiro concedido pela monarquia britânica. Em 2010, foi escolhido para receber o Gershwin Prize for Popular Song das mãos do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Mesmo décadas após o fim dos Beatles, McCartney continua associado a uma das obras mais extensas e influentes da música popular do século 20.
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