Uma pesquisa nacional do A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus mostrou um contraste no comportamento dos brasileiros: embora seis em cada dez considerem a própria saúde ótima ou boa, a mesma parcela admite não manter hábitos saudáveis ou estar fora do peso considerado ideal.
O cenário chama atenção porque escolhas do cotidiano podem contribuir para o surgimento do câncer de estômago, doença que ocupa a quarta posição entre os tumores mais frequentes em homens no Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Crédito: julien Tromeur/UnsplashEntre os entrevistados, 41% disseram não consumir alimentos frescos diariamente, enquanto 33% relataram comer ultraprocessados pelo menos três vezes por semana. As frituras aparecem com frequência semelhante: 31% afirmaram consumi-las três ou mais vezes por semana.
Crédito: Pexels/FAÍSCA CRIATIVAO álcool também faz parte da rotina de 41% dos brasileiros ouvidos, que disseram ingerir bebidas alcoólicas ao menos uma vez por semana. Outro dado relevante diz respeito à falta de atividade física, já que 42% declararam nunca praticar exercícios.
Crédito: Magnific/drobotdeanO levantamento, que ouviu 2.015 pessoas, ainda identificou uma diferença importante entre as faixas etárias. Entre os participantes de 16 a 24 anos, 17% disseram consumir ultraprocessados todos os dias, índice quatro vezes superior ao registrado entre aqueles com 60 anos ou mais, de 4%.
Crédito: Mikey Frost/UnsplashPara especialistas, a exposição prolongada a fatores de risco pode ter consequências décadas depois, já que o câncer gástrico costuma apresentar evolução silenciosa. O médico Felipe Coimbra, do A.C.Camargo, destaca que hábitos adquiridos cedo podem aumentar a exposição a esses fatores ao longo da vida.
Crédito: Sasun Bughdaryan/Unsplash"O câncer que vai aparecer daqui a vinte ou trinta anos começa a ser construído agora. O risco tem relação com o tempo de exposição e com a dose. Quem se expõe cedo carrega isso pela vida inteira, na maior parte das vezes sem saber", afirmou ele à CNN Brasil.
Crédito: Reprodução/MagnificAlém da alimentação inadequada, do sedentarismo, do consumo de álcool e do tabagismo, a presença da bactéria Helicobacter pylori também está associada ao desenvolvimento do tumor. A infecção pode ser identificada e tratada, o que permite reduzir seus impactos. Um dos grandes desafios, porém, está no reconhecimento da doença.
Crédito: Magnific/freepic.dillerOs primeiros sinais costumam se parecer com problemas digestivos comuns, como gastrite. Por essa razão, muitos casos são descobertos quando o câncer já está em estágio avançado. Azia persistente, queimação ou dor abdominal, sensação de estufamento, saciedade precoce, dificuldade para engolir, emagrecimento sem explicação, anemia e fezes escurecidas estão entre os sinais que merecem avaliação médica.
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