A expansão dos óculos inteligentes da Meta, capazes de fotografar e filmar de forma discreta, abriu uma nova frente de discussão no Reino Unido. Em resposta a essa preocupação, diferentes estabelecimentos passaram a impedir o uso desses dispositivos em seus espaços.
Os aparelhos, conhecidos como "Meta Glasses", reúnem recursos como captura de imagens, reprodução de músicas, chamadas de voz e traduções em tempo real, tudo por meio de comandos que dispensam o uso das mãos. Apesar dessas funcionalidades, a capacidade de registrar o ambiente provocou questionamentos sobre os limites da privacidade em locais frequentados pelo público.
Crédito: Divulgação/MetaAlguns pubs e restaurantes decidiram adotar regras mais rígidas para evitar a captação não autorizada de clientes, funcionários e apresentações artísticas. Segundo o jornal britânico The Guardian, entre os locais que proibiram os dispositivos estão o clube privado Soho House e a rede de pubs Wetherspoons.
Crédito: Reprodução/InstagramA ATG Theatres, responsável por espaços como o Bristol Hippodrome e o Edinburgh Playhouse, também determinou restrições e informou que espectadores flagrados com os óculos durante gravações poderão ser orientados a retirá-los.
Crédito: Wikimedia Commons/The Playhouse Theatre, Edinburgh by Leslie BarrieO debate ultrapassou os ambientes comerciais e chegou às ruas de Londres por meio de uma campanha do grupo ativista "Everyone Hates Elon". Os responsáveis espalharam cartazes que questionam a vigilância constante e a falta de consentimento na captura de imagens.
Crédito: Reprodução/NBC NewsUma das peças utilizou uma imagem de Jeffrey Epstein com os óculos inteligentes e a mensagem “óculos para pessoas que não pedem consentimento”. Outra instalação, próxima à sede da Meta em King’s Cross, explorou uma imagem de Kylie Jenner, parceira da empresa em uma coleção dos dispositivos.
Crédito: Reprodução/InstagramOs óculos inteligentes já enfrentaram críticas semelhantes no passado, como ocorreu com o Google Glass, principalmente por preocupações relacionadas à privacidade e à pirataria. No caso dos modelos da Meta, o debate se intensifica porque os aparelhos têm aparência semelhante à de óculos comuns, o que dificulta identificar quando alguém está fazendo uma gravação.
Crédito: Divulgação/MetaMilhões de unidades já foram vendidas, aumentando o temor de uma vigilância cada vez mais comum em espaços públicos e privados. No Reino Unido e na União Europeia, leis de proteção de dados exigem uma base legal para o uso da imagem de pessoas identificáveis, e a obtenção de consentimento representa um dos principais desafios.
Crédito: Divulgação/MetaApesar das restrições adotadas por alguns estabelecimentos, não existe uma proibição nacional sobre a venda dos dispositivos. Uma petição no Parlamento britânico, porém, defende que medidas mais rígidas sejam implementadas.
Crédito: Reprodução/YouTube Jon Valiagas