Entre os maiores tesouros arqueológicos do Egito está o Vale dos Reis, necrópole que abrigou as tumbas de alguns dos mais importantes faraós da Antiguidade. O sítio fica na margem oeste do Rio Nilo, próximo a Luxor, no sul do país.
A região tornou-se famosa por abrigar dezenas de tumbas de faraós e outros integrantes da elite do Egito Antigo, construídas principalmente entre os séculos XVI e XI a.C. Hoje, o Vale dos Reis é um dos sítios arqueológicos mais conhecidos do país, ao lado das célebres pirâmides de Gizé.
Crédito: Flickr David SamuelAs tumbas dos faraós concentram-se principalmente no Vale Oriental. Durante o Império Novo, os soberanos abandonaram a tradição das grandes pirâmides e passaram a ser sepultados em túmulos escavados na rocha, chamados hipogeus, com câmaras e corredores ricamente decorados para receber suas múmias e bens funerários.
Crédito: Domínio Público /Wikimédia CommonsAlém dos faraós, o Vale dos Reis também recebeu sepultamentos de membros da família real e de figuras importantes da elite egípcia. Muitas tumbas preservam pinturas e inscrições com cenas religiosas e mitológicas, que ajudam arqueólogos e historiadores a compreender crenças, rituais funerários e concepções sobre a vida após a morte no Egito Antigo.
Crédito: Flickr João AntonioSéculos depois dos grandes sepultamentos faraônicos, o Vale dos Reis tornou-se também um destino para viajantes da Antiguidade greco-romana. Alguns desses visitantes deixaram inscrições e grafites nas paredes das tumbas, registros que mostram que o fascínio pelo local existe há mais de dois mil anos.
Crédito: Flickr Airton MorassiDesde o fim do século XVIII, o Vale dos Reis passou a atrair viajantes, estudiosos e, posteriormente, arqueólogos e egiptólogos interessados em investigar suas tumbas. O local ganhou projeção mundial em 1922, quando Howard Carter descobriu a tumba praticamente intacta do faraó Tutancâmon.
Crédito: Alexandra Koch - pixabayEm 1979, o Vale dos Reis passou a integrar o Patrimônio Mundial da UNESCO como parte do sítio “Tebas Antiga e sua Necrópole”. As explorações modernas na região haviam ganhado impulso ainda em 1799, quando integrantes da expedição francesa ao Egito, entre eles Vivant Denon, registraram e estudaram monumentos e tumbas da antiga Tebas.
Crédito: Reprodução do Youtube Canal Destinos com Caprice TurismoTempos depois, em 1817, o explorador italiano Giovanni Battista Belzoni descobriu a tumba do faraó Seti I, uma das maiores e mais ricamente decoradas do Vale dos Reis. Em 1858, foi criado o Serviço de Antiguidades do Egito, que impulsionou a preservação e o estudo sistemático dos sítios arqueológicos do país.
Crédito: Carole Raddato/Wikimedia CommonsEm fevereiro de 2025, o Egito anunciou a identificação da tumba de um faraó da 18ª Dinastia. Trata-se do sepulcro de Tutmés II, com cerca de 3.500 anos. A entrada e o corredor principal haviam sido descobertos em 2022, mas somente depois as escavações revelaram evidências de que a tumba pertencia ao faraó. Segundo as autoridades egípcias, foi a primeira tumba real descoberta desde a de Tutancâmon, em 1922.
Crédito: Ministério de Antiguidades do Egito. Inicialmente, os arqueólogos acreditavam que o sepulcro, localizado a oeste de Luxor e próximo ao Vale dos Reis, pudesse pertencer a uma esposa de faraó. No entanto, fragmentos de vasos de alabastro e inscrições com os nomes de Tutmés II e da rainha Hatshepsut ajudaram a confirmar que a tumba pertencia ao faraó.
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