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O jogo que manchou a história do Pacaembu

Entre lances de promessa e expectativas, uma decisão de base terminou em violência, medo e luto.

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Novo Pacaembu
Novo Pacaembu. Foto: Reprodução / Redes Sociais

Estádio mais tradicional de São Paulo, o Pacaembu sempre foi sinônimo de histórias inesquecíveis. Ali se consagraram craques, nasceram lendas e títulos foram celebrados com fervor. Foi nesse gramado que Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, eternizou sua marca registrada ao marcar um gol de bicicleta pelo São Paulo contra o Palmeiras, em 1942.

Mas foi também no Paulo Machado de Carvalho que o futebol brasileiro viveu um de seus capítulos mais sombrios. No dia 20 de agosto de 1995, um domingo de inverno paulistano, o estádio seria palco de duas partidas: pela manhã, a decisão da Supercopa de Juniores entre São Paulo e Palmeiras; à tarde, Corinthians e Bragantino abririam o Campeonato Brasileiro.

A final das categorias de base reunia pouco mais de 7 mil torcedores. O número reduzido tinha explicação: o tobogã estava interditado para reformas, repleto de entulho e com acesso facilitado pelas frágeis grades de contenção. Um detalhe negligenciado que se transformaria em ingrediente fatal.

Foto: Reprodução

Dentro de campo, o clima era de expectativa. De um lado, o jovem atacante Adaílton brilhava pelo Palmeiras; do outro, o São Paulo de Darío Pereyra contava com nomes como Fábio Mello e Edmílson. O jogo terminou empatado em 0 a 0 e foi para a prorrogação. Logo aos cinco minutos, o palmeirense Rogério marcou o gol de ouro que decretou o título alviverde.

O que deveria ser festa virou tragédia. Parte da torcida do Palmeiras invadiu o campo em comemoração, provocando os rivais. Do outro lado, são-paulinos derrubaram o alambrado e avançaram para o tobogã em obras, de onde retiraram paus, pedras e pedaços de madeira para transformar o gramado em um campo de batalha.

“Eu me abriguei no banco de reservas. As pedras batiam por todos os lados. Vi torcedores usando madeira, ferro, qualquer coisa como arma. Foi uma cena de guerra, uma das mais horríveis da minha vida”, relembrou o jornalista Osvaldo Paschoal, então repórter da TV Bandeirantes.

O efetivo policial, de apenas 65 homens, mostrou-se incapaz de conter a violência. Torcedores eram espancados no chão, jogadores precisaram ser protegidos por adversários, e a selvageria tomou conta do estádio.

O saldo foi devastador: 102 feridos, entre eles 22 policiais, e a morte do adolescente são-paulino Márcio Gasparin da Silva, de apenas 16 anos, brutalmente golpeado na cabeça. O jovem resistiu por oito dias no hospital, mas não sobreviveu.

O Pacaembu, que tantas vezes fora palco de celebrações e glórias, naquele domingo se transformou em sinônimo de luto e vergonha. Um lembrete doloroso de como a negligência, a rivalidade e a violência podem manchar a história do futebol brasileiro.

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