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“Virou negócio”: compositores criticam modelo atual de criação no Carnaval

Samir Trindade e Cláudio Russo discutiram no Deixa Falar o avanço de parcerias comerciais e o impacto no processo criativo

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Marquês de Sapucaí.
Marquês de Sapucaí. Foto: Divulgação/Liesa.

Os compositores Samir Trindade e Cláudio Russo alertaram sobre mudanças na criação dos sambas-enredo no Carnaval, em participação no podcast Deixa Falar, da Super Radio Tupi. Segundo eles, cresce o número de compositores que enxergam o samba mais como negócio do que expressão artística, investindo dinheiro e esperando retorno financeiro.

Samir destacou que essa abordagem prejudica o caráter autoral do samba. “Quando a composição passa a ser vista apenas como investimento, perde-se o sentido de criar por amor à escola e à comunidade”, afirmou

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Excesso de parcerias descaracteriza a criação

Outro ponto criticado por Cláudio Russo foi o crescimento excessivo no número de autores assinando um mesmo samba-enredo. Segundo ele, há composições com 12, 20 ou até mais nomes, algo que, em sua visão, não ocorre por afinidade artística.

“Ninguém compõe dessa forma por prazer”, afirmou Cláudio, ao destacar que o excesso de parcerias muitas vezes está ligado à divisão de custos e à tentativa de aumentar as chances de vitória em disputas internas. Para os compositores, essa lógica descaracteriza o processo criativo e enfraquece a identidade autoral das obras.

Risco de afastar quem compõe por paixão

O alerta feito por Samir Trindade e Cláudio Russo é direto: se o samba-enredo passar a ser tratado apenas como produto, o Carnaval corre o risco de afastar compositores movidos pela paixão e pela tradição. Na avaliação deles, a transformação da criação em simples ativo financeiro pode comprometer a qualidade artística dos desfiles.

Apesar de reconhecerem as mudanças naturais ao longo do tempo, os convidados defenderam a necessidade de preservar o valor simbólico do samba.