Rio
Casos de danos à saúde mental tem aumento explosivo no estado do Rio
Crescimento dos casos atinge principalmente mulheres de 20 a 29 anos e acende alerta sobre a saúde mental no estado do Rio de Janeiro
Um levantamento inédito da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro revela um crescimento expressivo nos atendimentos relacionados à saúde mental nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) sob gestão estadual.
Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, foram registrados cerca de 170 mil atendimentos que demandaram acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
A análise por gênero e faixa etária aponta maior impacto entre mulheres de 20 a 29 anos. De acordo com o superintendente de unidades próprias e pré-hospitalares da Secretaria Estadual de Saúde do Rio, Leandro Troncoso, os dados indicam uma tendência de crescimento contínuo ao longo dos últimos três anos, considerada preocupante.
Ele explica que a maior incidência entre mulheres pode estar relacionada à sobrecarga de trabalho, à responsabilidade com afazeres domésticos e cuidados familiares, além do fato de que elas costumam buscar atendimento médico de forma mais precoce do que os homens.
“Esses números vieram numa escalada, numa crescente preocupante. Nesse levantamento a gente percebeu que nos últimos três anos vem uma crescente nesse número de atendimentos e o perfil de paciente mais frequente são mulheres entre 20 e 29 anos. E aí sobre as causas desse perfil do paciente, a gente pode pensar que a mulher tem uma sobrecarga hoje em dia de trabalho, com afazeres domésticos, cuidados com a família e além disso a mulher busca atendimento mais precocemente do que o homem. Então a gente tem um registro maior de atendimento de mulheres de uma forma geral e isso acaba refletindo também nesses dados de saúde mental.”
Segundo Troncoso, fatores culturais também influenciam o cenário, como o impacto das redes sociais e a imposição de padrões irreais de felicidade, sucesso e imediatismo, que tendem a intensificar quadros de sofrimento psíquico.
O levantamento identificou ainda 3.400 atendimentos relacionados a lesões autoprovocadas e intoxicações intencionais por medicamentos ou substâncias químicas no período analisado.
Além disso, cerca de 4.500 pacientes precisaram ser internados para observação, e foram registrados seis óbitos nas UPAs estaduais associados a episódios críticos de saúde mental ao longo dos três anos.
O alerta ganha ainda mais força durante o Janeiro Branco, campanha criada em 2014 com o objetivo de incentivar o cuidado com a saúde mental.
A iniciativa utiliza a simbologia do início do ano como um período de recomeços, reflexões e novos projetos, comparando o mês a uma “folha em branco” que convida as pessoas a repensarem suas histórias e prioridades.
Dados internacionais reforçam a gravidade do problema. No levantamento mais recente, o Brasil apareceu no topo do ranking mundial de transtornos de ansiedade, com mais de 9% da população afetada — o equivalente a cerca de 18 milhões de pessoas.
Na capital fluminense, números do SAMU evidenciam a dimensão da demanda. Entre 2023 e 2025, foram registrados quase 76 mil atendimentos relacionados a transtornos mentais ou comportamentais, o que representa 12% de todas as ocorrências no período.
Do total, 41 mil atendimentos envolveram mulheres e 36 mil homens, com crescimento progressivo ano a ano: quase 22 mil casos em 2023, 26 mil em 2024 e cerca de 27 mil e 500 em 2025.