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Economia

Especialista em economia explica impactos da liquidação do Will Bank para os clientes

O mestre em finanças, Hulisses Dias, explica o caso

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Depois do Banco Master, em novembro do ano passado, o Will Bank, banco digital do grupo, teve a liquidação decretada nesta quarta-feira. Os casos colocaram em foco o tema da liquidação extrajudicial.

Segundo o Banco Central, após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob um regime especial de administração temporária.

Durante o período, o Banco Central assumiu o controle da instituição com o objetivo de preservar a operação, evitar impactos imediatos aos clientes e tentar uma solução que permitisse sua continuidade, como a venda para um novo investidor.

O mestre em finanças, Hulisses Dias, explica o que é a liquidação extrajudicial, e a razão pela qual o Banco Central decidiu aplicar a medida.

“A liquidação extrajudicial é como se fosse um fim da linha organizado por um banco que não consegue mais pagar as contas e já não tem saída para se recuperar. Não é uma coisa que o Banco Central faz por capricho. Ele aplica essa medida quando a instituição está insolvente, sem condições de honrar compromissos e operações, e não tem mais plano de recuperação que funcione. A ideia é proteger o sistema financeiro e dar uma saída ordenada para tudo isso”.

Hulisses explica também o que muda, na prática, para o cliente quando um banco é liquidado:

“Quando um banco entra em liquidação extrajudicial, as operações param na hora. Os clientes deixam de conseguir fazer transferências, uso de cartão, saque ou qualquer outra movimentação na conta ou nos serviços do banco. Os saldos que haviam deixam de estar disponíveis imediatamente e passam a fazer parte do processo de liquidação. Ou seja, o cliente vira um credor no processo. A partir daí, o pagamento depende do andamento da liquidação e das garantias que existirem”.

O mestre em finanças também explica se quem tinha dinheiro ou investimentos nesses bancos corre risco real de perder tudo:

“Quem tinha dinheiro ou investimentos nesses bancos corre o risco, sim. Mas não é um risco igual para todo mundo. Existe a proteção do Fundo Garantidor de Crédito, que cobre até 250 mil reais por CPF ou CNPJ por instituição financeira em produtos como CDB e poupança. Agora, tem um detalhe fundamental. Quem comprou CDB do Will antes de o banco passar a integrar conglomerado do Banco Master tem direito a uma cobertura própria”.

Por fim, Hulisses ressalta se casos como esse indicam um problema maior no sistema financeiro:

“Casos como esse não indicam necessariamente um problema estrutural do sistema financeiro como um todo. Pelo contrário, eles costumam tornar o sistema mais robusto ao longo do tempo. Cada liquidação funciona como um teste de estresse real, que expõe falhas de gestão, de controle e de modelo de negócio. A partir disso, o Banco Central ajusta regras, aperta exigências de capital, melhora padrões de governança e reforça a supervisão. Esses episódios acabam elevando o nível de qualidade exigido das instituições que permanecem no mercado”.

Em comunicado oficial, o BC afirmou que a liquidação se tornou inevitável diante do comprometimento da situação econômico-financeira do Will Bank, de sua incapacidade de honrar obrigações e do vínculo direto com o Banco Master, já em liquidação.