Esportes
CBF divulga programa para profissionalizar a arbitragem
Entidade deseja evolução do nível dos árbitros no futebol brasileiro
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta terça-feira (27) mais uma medida de impacto para enfrentar gargalos históricos do futebol nacional. Após mexer no calendário e implementar regras de fair-play financeiro, a entidade confirmou o primeiro modelo de profissionalização da arbitragem no país, que terá início com 72 árbitros selecionados.
O projeto representa uma virada de chave na condução da arbitragem brasileira. Aliás, isso aproxima o futebol nacional de práticas já consolidadas nas principais ligas do mundo. Para colocar o plano em prática, a CBF prevê um investimento de aproximadamente R$ 195 milhões ao longo do biênio 2026/2027, voltado ao desenvolvimento técnico, físico e estrutural dos profissionais do apito.
Batizado de Programa de Profissionalização da Arbitragem (PRO), o modelo foi elaborado por um Grupo de Trabalho liderado por Netto Góes, Helder Melillo e Davi Feques. O GT contou com a participação de 38 clubes das Séries A e B, além de federações, associações, árbitros e consultores internacionais. O início oficial está previsto para março.
Os árbitros contemplados passarão a receber remuneração fixa mensal, acrescida de valores variáveis e bônus por desempenho. A dedicação à arbitragem será prioritária, mas sem exigência de exclusividade. Neste primeiro momento, o foco está no Campeonato Brasileiro da Série A, embora os profissionais possam atuar em outras competições ao longo da temporada.
Entre os 72 escolhidos estão 20 árbitros centrais — 11 deles do quadro da Fifa —, 40 assistentes, sendo 20 internacionais, e 12 árbitros de vídeo (VAR), todos com selo Fifa. Aliás, ao fim de cada ano, haverá avaliação de desempenho com possibilidade de rebaixamento e promoção, em um sistema semelhante ao aplicado aos clubes dentro de campo.
“O futebol brasileiro precisava dessa mudança estrutural. É uma pauta antiga, debatida há décadas, e que agora começa a sair do papel com responsabilidade e diálogo”, afirmou o presidente da CBF, Samir Xaud.
Estrutura em pilares
O PRO está estruturado em quatro pilares: Estrutura Geral, Excelência com Saúde, Capacitação Técnica e Tecnologia e Inovação. Os árbitros serão avaliados rodada a rodada por observadores e por uma comissão técnica contratada pela CBF, recebendo notas por critérios como controle de jogo, aplicação das regras, preparo físico e comunicação. Um ranking vai ter atualização constante.
Além disso, os profissionais terão planos individualizados de treinamento, acompanhamento médico e psicológico, uso de tecnologia para monitoramento de desempenho e avaliações físicas periódicas. Haverá também uma rotina mensal de capacitação, com aulas teóricas, atividades práticas em campo e análise detalhada de lances polêmicos.
Para Helder Melillo, diretor executivo da CBF, o programa simboliza um avanço concreto. “É a resposta a desafios que se acumulam há anos. O futebol exige uma arbitragem cada vez mais preparada, moderna e alinhada aos padrões internacionais”, afirmou.
Por fim, com o lançamento do PRO, a CBF aposta que a profissionalização da arbitragem será um passo decisivo para elevar o nível das competições, reduzir erros e devolver confiança ao torcedor, protagonista final do espetáculo.