Esportes
Presidente da Uefa critica jogos fora da Europa e defende unidade do futebol no continente
Presidente da Uefa defende tradição e unidade do futebol europeu durante congresso e celebra acordo com o Real Madrid após disputa da Superliga
O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, criticou a realização de partidas de ligas nacionais fora da Europa durante discurso no 50º Congresso da entidade, realizado nesta quinta-feira. Segundo o dirigente esloveno, os campeonatos europeus não devem arriscar a lealdade dos torcedores em troca de ganhos de curto prazo.
A declaração foi feita um dia após a Uefa chegar a um acordo com o Real Madrid, encerrando a disputa judicial relacionada à Superliga Europeia. No pronunciamento, Ceferin reforçou a necessidade de manter o modelo atual do futebol europeu, com uma pirâmide aberta e integrada.
O tema voltou ao debate após planos recentes de ligas nacionais levarem jogos para outros continentes. Uma partida de LaLiga entre Villarreal e Barcelona chegou a ser cogitada para os Estados Unidos, enquanto um confronto da Serie A entre Milan e Como estava previsto para a Austrália. As duas iniciativas, porém, foram canceladas no ano passado.

Ceferin aconselhou os clubes a preservarem suas origens e a relação com os torcedores locais.
“As ligas nacionais tiram sua força do território, das tradições e dos torcedores que vão aos jogos. Exportar partidas pode servir a interesses de curto prazo, mas enfraquece a conexão e corrói a lealdade”, afirmou.
O dirigente questionou ainda o impacto dessas decisões na identidade dos clubes.
“Como você constrói identidade se remove o jogo de sua casa? Como sustenta a paixão local se a negocia?”, disse.
Defesa de um sistema aberto
Presidente da Uefa desde 2016, Ceferin destacou que o futebol europeu “nunca será fechado”, em referência indireta ao projeto da Superliga Europeia, que previa a presença garantida de alguns dos clubes mais populares do continente.
“É para todos. E o que pertence a todos é mais forte do que qualquer força individual. Escolhemos a unidade em vez da fragmentação. Escolhemos a responsabilidade em vez da improvisação”, declarou.
Ele também citou a redistribuição de receitas como exemplo do modelo atual. Segundo Ceferin, só nesta temporada mais de 400 milhões de euros serão destinados a clubes que não participam da fase de liga da Liga dos Campeões, sendo 308 milhões para equipes que nem disputam competições europeias.
“Isso existiria em um sistema movido apenas pelo lucro? Tenho certeza de que a resposta é clara”, completou.
Fifa e jogadores representados
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, que também discursou no congresso, elogiou o acordo entre Uefa e Real Madrid que encerrou a disputa judicial.
“Porque o futebol vence quando nos unimos”, afirmou.
O congresso também aprovou a entrada de David Terrier, presidente da FIFPRO Europa, no comitê executivo da Uefa com direito a voto. O sindicato dos jogadores classificou a medida como um marco histórico.
“Pela primeira vez, os jogadores estão formalmente representados no mais alto nível de decisão do futebol europeu. Os atletas não estão mais fora da sala. A posição deles agora faz parte de um processo formal”, declarou Terrier ao site oficial da entidade.