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O que a psicologia explica sobre quem evita falar dos próprios sentimentos

Emoções reprimidas também pedem atenção

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O que a psicologia explica sobre quem evita falar dos próprios sentimentos
Evitar falar sobre sentimentos pode gerar impressão de ser reservado

Quem evita falar dos próprios sentimentos costuma ser visto como alguém fechado, reservado ou “forte”. A psicologia, porém, aponta que esse silêncio emocional geralmente não é aleatório, estando ligado a experiências anteriores, formas de educação na infância, crenças culturais e estratégias de proteção que a mente desenvolve para lidar com situações que parecem ameaçadoras.

O que a psicologia diz sobre quem evita falar dos próprios sentimentos?

A psicologia entende que evitar expressar emoções pode funcionar como um mecanismo de defesa. Muitas pessoas aprenderam ao longo da vida que demonstrar vulnerabilidade traz consequências indesejadas, como críticas, punições ou afastamento de figuras importantes.

Falar sobre emoções envolve exposição e, para alguns, admitir medo, tristeza, raiva ou frustração é interpretado como fraqueza ou perda de controle. Assim, recuam, mudam de assunto ou usam o humor para desviar o foco, não por ausência de sentimentos, mas como tentativa de proteção diante de possíveis julgamentos ou rejeições.

O que a psicologia explica sobre quem evita falar dos próprios sentimentos
Quando guardar sentimentos parece mais seguro do que falar

Quais experiências podem causar bloqueio emocional?

Pesquisas mostram que fatores como histórico de traumas, educação rígida, bullying e falta de acolhimento emocional na infância influenciam esse comportamento. Frases como “engole o choro” ou “isso é drama” ensinam que sentir é inadequado, levando a pessoa a esconder o que se passa por dentro.

Nem sempre existe apenas uma causa; em geral é um conjunto de experiências que molda essa postura mais fechada. Muitas vezes, a pessoa justifica o silêncio com “não gosto de drama” ou “prefiro resolver sozinho”, sem perceber que está reproduzindo um bloqueio emocional aprendido.

Quais são os motivos mais comuns para não falar sobre sentimentos?

Os motivos mais frequentes envolvem medos, crenças e padrões familiares que limitam a expressão emocional. Entender esses fatores ajuda a reduzir a culpa e a enxergar o silêncio não como defeito de caráter, mas como uma forma de proteção construída ao longo do tempo.

Abaixo estão alguns dos motivos mais citados na prática clínica e em estudos da psicologia:

MotivoComo se manifestaImpacto emocional
Medo de julgamentoEvita compartilhar sentimentos por receio de parecer frágil.Acúmulo de emoções e sensação de solidão interna.
Educação emocional limitadaDificuldade em nomear e explicar o que está sentindo.Confusão emocional e bloqueio na comunicação.
Experiências dolorosas anterioresSilêncio após ter sido ridicularizado ou ignorado ao se abrir.Desconfiança e retraimento nas relações.
Crenças culturais ou de gêneroIdeia de que demonstrar emoção é sinal de fraqueza.Repressão de sentimentos e rigidez comportamental.
Ambiente familiar distanteFamílias que evitam falar de problemas e emoções.Dificuldade de intimidade emocional na vida adulta.

Como evitar falar de sentimentos afeta relacionamentos e saúde mental?

O hábito de não falar dos próprios sentimentos impacta diretamente os relacionamentos afetivos. Parceiros, familiares e amigos podem interpretar o silêncio como desinteresse ou frieza, e conflitos podem surgir “do nada”, quando incômodos guardados explodem em discussões intensas ou em afastamentos sem explicação.

No campo da saúde mental, essa dificuldade contribui para quadros de ansiedade, estresse e sintomas depressivos. Emoções não expressas tendem a aparecer como insônia, irritabilidade frequente, tensão muscular, problemas de concentração, sensação constante de cansaço e solidão, mesmo perto de outras pessoas.

Evitar falar dos próprios sentimentos pode parecer uma forma de proteção, mas muitas vezes esconde dificuldades internas de expressão. O silêncio emocional pode acumular peso com o tempo.

Neste vídeo do canal Cortes do Lutz [OFICIAL], com mais de 695 mil de inscritos e cerca de 198 mil visualizações, esse tema aparece ligado a reflexões sobre comunicação emocional:

Como reconhecer os sinais de que você está bloqueando suas emoções?

Identificar o bloqueio emocional é um passo essencial para mudar. Muitas pessoas não percebem que evitam sentimentos por medo ou insegurança, acreditando apenas que são “racionais” ou “práticas”, quando, na verdade, estão evitando entrar em contato com o que sentem.

Alguns sinais comuns incluem mudar de assunto quando surgem temas delicados, dificuldade em pedir ajuda, incômodos acumulados que resultam em explosões de raiva e tendência a resolver tudo sozinho, mesmo quando a situação é pesada demais.

É possível aprender a falar mais sobre sentimentos?

A habilidade de expressar emoções pode ser desenvolvida, mesmo em quem passou anos evitando o tema. O processo é gradual e envolve autoconhecimento, treino no dia a dia e ambientes seguros onde a pessoa possa se abrir sem medo de críticas.

Não se trata de obrigar alguém a falar de tudo, mas de ampliar a liberdade interna para escolher quando e como se abrir. Algumas estratégias frequentemente utilizadas na psicologia incluem:

  1. Reconhecer o padrão: perceber em quais momentos surge a vontade de se calar ou mudar de assunto quando emoções aparecem.
  2. Nomear o que sente: usar palavras simples, como “triste”, “chateado” ou “com medo”, para organizar o mundo interno.
  3. Começar por conversas pequenas: dividir algo mais leve com alguém de confiança, sem ir direto a temas muito profundos.
  4. Observar o corpo: notar sinais físicos, como aperto no peito ou na garganta, que muitas vezes indicam sentimentos segurados.
  5. Buscar apoio profissional: a psicoterapia oferece espaço seguro para explorar emoções, ressignificar experiências e treinar novas formas de expressão.

Quem evita falar dos próprios sentimentos não está “errado”; na maioria das vezes, está usando recursos emocionais que fizeram sentido em algum momento da vida. Com tempo, informações adequadas e ambientes acolhedores, é possível construir relações mais claras e um bem-estar emocional mais estável.