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Eles vivem no meio do mato e produzem quase tudo que consomem

Móveis rústicos, queijo artesanal e comida que nasce no quintal

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Eles vivem no meio do mato e produzem quase tudo que consomem
A agricultura familiar é responsável por grande parte dos alimentos consumidos no Brasil

Entre a estrada de chão batido e a mata fechada, uma pequena propriedade rural mostra, na prática, o que significa depender quase totalmente da terra para viver. A rotina é marcada pelo barulho dos animais, pelo cheiro do café passado no fogão a lenha e pelo trabalho constante no quintal, na roça e na oficina, onde praticamente tudo o que chega à mesa foi produzido ali mesmo, com o cuidado direto das mãos da família.

O que significa viver de tudo o que sai da terra

A expressão “tudo sai da terra” resume uma lógica em que o alimento, a madeira e parte da renda dependem diretamente do solo, da chuva e do tempo de espera. Em vez de apostar em produtos industrializados, a família cultiva mandioca, milho, frutas variadas e cria galinhas, porcos e vacas de leite, reduzindo gastos e fortalecendo a autonomia.

O polvilho usado no pão de queijo vem da própria mandioca, o leite para o queijo é ordenhado ali, a manteiga é batida em casa e as frutas para suco são colhidas no quintal. Assim, a terra deixa de ser apenas cenário e passa a ser o centro da sobrevivência diária, exigindo planejamento de plantio, colheita e armazenamento para todas as estações.

Eles vivem no meio do mato e produzem quase tudo que consomem
A rotina de quem tira quase toda comida direto da terra

Como funciona a rotina de trabalho e casa na vida simples da roça

Nesse sistema de vida simples, a casa, o terreiro e o mato ao redor formam um único organismo, sem divisão rígida entre “trabalho” e “casa”. O dia começa cedo, com trato dos bichos, ordenha, preparação do café e serviços de manutenção, como reparos na cerca, consertos de ferramentas e pequenos trabalhos de madeira.

A modernidade aparece em detalhes pontuais, como um celular para comunicação ou um pequeno motor para moer grãos, mas o eixo principal continua sendo o que a terra oferece em forma de alimento, madeira e sombra. Conhecimentos tradicionais, passados entre gerações, orientam o manejo do solo, das sementes crioulas e dos animais.

Como a alimentação natural se organiza em um quintal produtivo

A alimentação baseada no que a terra oferece acaba sendo, por consequência, mais natural e variada ao longo do ano. Em vez de refrigerantes, são comuns sucos preparados na hora com frutas do pomar, além de chás de ervas, raízes cozidas, milho verde e produtos minimamente processados, como farinhas e polvilhos caseiros.

No entorno da casa, o quintal produtivo reúne árvores frutíferas, ervas aromáticas e hortaliças, em um sistema que concilia produção e preservação. Para entender melhor essa diversidade, é possível organizar o que o quintal oferece em diferentes grupos de alimentos e usos cotidianos:

  • Frutas: fonte de sucos, doces, geleias e consumo in natura.
  • Raízes e tubérculos: base para farinha, polvilho, bolos e pratos típicos.
  • Ervas e temperos: usados em chás, condimentos e tratamentos caseiros.
  • Hortaliças variadas: folhas, legumes e verduras para consumo diário.
  • Animais de pequeno porte: fornecem ovos, carne e ajudam no controle de insetos.

Como o queijo artesanal mostra que o alimento vem da terra

Entre os produtos que simbolizam esse estilo de vida, o queijo artesanal ocupa lugar de destaque, pois conecta pasto, animal e mesa. Ele começa no campo, com vacas alimentadas principalmente por capim e outros recursos produzidos na própria propriedade, garantindo um leite mais fresco e rastreável.

O leite recém-ordenhado é filtrado, aquecido em temperatura adequada e recebe o coalho, que transforma o líquido em massa, separando coalhada e soro. A partir daí, etapas manuais definem o resultado final, e um dado comum em produções caseiras é que cerca de 10 litros de leite rendem, em média, 1 quilo de queijo, enquanto o soro alimenta porcos, galinhas e até cães, evitando desperdícios.

Conheça a história de um produtor rural que tira praticamente tudo o que consome da própria terra. Entre móveis rústicos feitos à mão, queijo artesanal e café passado na hora, essa visita mostra como é possível viver com simplicidade e abundância no meio do mato.

Neste vídeo do canal Lucas Pereira Lima, com mais de 451 mil de inscritos e cerca de 352 mil de visualizações, você acompanha uma verdadeira aula de vida direto do coração da roça:

Como é o passo a passo básico da produção de queijo artesanal

O processo de fazer queijo na roça costuma ser simples, mas exige cuidado com higiene, temperatura e tempo de cada etapa. Mesmo com poucos equipamentos, a família segue uma sequência de ações que garante textura adequada, sabor equilibrado e segurança para o consumo diário ou para venda local.

  1. O leite recém-ordenhado é aquecido em temperatura adequada.
  2. Adiciona-se o coalho, que forma a coalhada, separando massa e soro.
  3. A massa é reunida em um pano limpo e colocada em formas próprias.
  4. Faz-se a prensagem, etapa que define textura e firmeza do queijo.
  5. Depois, aplica-se sal por fora, em um lado, depois no outro.
  6. O queijo pode ser consumido fresco ou curado por vários dias.

Como animais, madeira e fé se integram ao uso do quintal produtivo

Além da produção de queijos e derivados, a vida em que quase tudo sai da terra envolve um manejo integrado de animais, plantas e recursos florestais. Galinhas ajudam no controle de insetos, porcos aproveitam restos de comida e soro de leite, e cães e gatos colaboram no controle de pequenos animais indesejados, reduzindo o uso de venenos.

A madeira retirada de árvores caídas ou de manejo planejado é transformada em mesas, bancos e móveis rústicos em uma pequena oficina, mostrando outra faceta do “tudo sai da terra”. Unindo quintal produtivo, criação de animais, artesanato em madeira e , esse modo de vida rural segue em 2026 como exemplo de como ainda é possível depender majoritariamente da terra para viver, com trabalho constante e forte vínculo com o ambiente ao redor.