Adolescente que sofreu estupro coletivo em Copacabana foi atraída para "emboscada planejada" - Super Rádio Tupi
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Adolescente que sofreu estupro coletivo em Copacabana foi atraída para “emboscada planejada”

Investigação revelou que menor atraiu vítima de forma planejada para apartamento onde estava com quatro adultos. "Ela foi levada a erro por esse garoto", diz delegado

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Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um suspeito estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos ocorrido na noite de 31 de janeiro em um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana. O delegado Ângelo Lajes, responsável pela investigação, afirmou neste sábado (28) que o crime foi uma “emboscada planejada”.

Quatro homens adultos foram indiciados e podem ser condenados a quase 20 anos de prisão. O caso ocorreu na noite de 31 de janeiro em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro.

“A gente trata esse caso como uma emboscada planejada. Ela foi levada a erro por esse garoto, esse menor que já tinha um relacionamento anterior com ela. Ela achou que estava indo para lá para ter um encontro romântico com esse adolescente infrator. Só que chegou lá havia mais quatro adultos e aconteceu tudo que aconteceu”, declarou Lajes.

Quatro adultos indiciados por estupro coletivo

Os quatro homens presos saindo do apartamento em que ocorreu o crime. Foto: Reprodução/TV Globo

A 12ª DP (Copacabana) indiciou quatro homens por estupro com concurso de pessoas. A conduta do adolescente envolvido foi desmembrada para apuração na Vara da Infância e Juventude, e sua identidade não será divulgada.

“Ela chegou aqui muito lesionada e isso chamou muita atenção dos investigadores. Ela estava sangrando. No momento que ela chegou aqui nós tentamos fazer a prisão em flagrante dos criminosos. Nós fomos até o local onde o crime tinha acabado de acontecer, mas infelizmente naquele momento a gente não conseguiu efetuar a prisão”, relatou o delegado.

A polícia tentou cumprir mandados de prisão contra os quatro adultos e uma ordem de apreensão contra o menor, mas nenhum deles foi localizado. Antes de solicitar as prisões, os investigadores reuniram laudo de exame de corpo de delito, imagens do crime e o reconhecimento dos autores feito pela vítima. “A gente teve certeza da autoria e da materialidade para exatamente conseguir os mandados de prisão”, explicou Lajes.

O crime é qualificado por dois fatores: a vítima ser menor de 18 anos e o delito ter sido praticado de forma coletiva. “Eles vão estar sujeitos a uma pena de quase 20 anos de reclusão”, afirmou o delegado. A investigação foi encaminhada ao Ministério Público.

Relato da vítima sobre o encontro

Em depoimento prestado na delegacia, na presença da avó, a adolescente contou que foi convidada pelo colega de escola para ir ao apartamento de um amigo. Ele pediu que ela levasse uma amiga, mas ela foi sozinha. A jovem afirmou que já havia se relacionado com o rapaz entre 2023 e 2024, mas que não se encontravam desde então.

Ao chegar ao prédio, ela encontrou o jovem na portaria e subiu ao apartamento. No elevador, ele teria avisado que dois amigos estariam no local e insinuado que fariam “algo diferente”, o que ela recusou. No apartamento, foi levada a um quarto, onde, enquanto mantinha relação com o jovem, outros três rapazes entraram no cômodo e um deles a tocou sem consentimento.

A vítima relatou que, após insistência do adolescente, concordou apenas que os amigos ficassem no quarto, com a condição de que não a tocassem. Segundo seu depoimento, eles tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la. Ela afirmou ter sido forçada a praticar sexo oral e ter sofrido penetração pelos quatro jovens, além de levar tapas, socos e um chute no abdômen. Em determinado momento, tentou sair do quarto, mas disse ter sido impedida.

Ao deixar o apartamento, a adolescente enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Em seguida, contou o ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.

Câmeras de segurança e mensagens registram crime

As câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor e o momento em que ela deixa o imóvel. Segundo o relatório, após acompanhá-la até a saída, o jovem retornou ao apartamento e fez gestos descritos pelos investigadores como de “comemoração”. As imagens também mostram a saída dos investigados do edifício em horários próximos ao crime.

Prints de conversas por WhatsApp entre a adolescente e o menor foram incluídos no inquérito. Nas mensagens, ele a convida para o endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. A jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha. As conversas registram ainda a combinação do encontro na portaria e os horários em que ela avisou que estava chegando.