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A menor capital do Brasil em território tem o 4º melhor IDH do país e o primeiro patrimônio imaterial registrado pelo IPHAN
A menor capital brasileira em extensão territorial tem um dos maiores IDHs do país.
Em Goiabeiras Velha, mulheres moldam panelas de barro com uma técnica herdada dos povos tupi há séculos. A argila vem do Vale do Mulembá, e cada peça é polida à mão, queimada a céu aberto e impermeabilizada com tintura de tanino extraída do manguezal. Em 2002, esse ofício se tornou o primeiro bem registrado pelo IPHAN como Patrimônio Imaterial do Brasil. Quem carrega essa história é Vitória, capital do Espírito Santo, um arquipélago de 33 ilhas e uma porção continental em apenas 93 km², a menor capital brasileira em extensão territorial.
Da Ilha do Mel à capital entre sete pontes
Os povos indígenas chamavam a ilha de Guananira, ou Ilha do Mel, por causa das abelhas nativas que produziam mel em abundância. A fundação oficial veio em 8 de setembro de 1551, após uma vitória dos portugueses contra os povos goitacás e aimorés, o que deu nome à cidade. Originalmente, o município reunia 50 ilhas. Aterros sucessivos incorporaram várias delas à ilha principal.
Hoje, sete pontes interligam Vitória ao continente. A Terceira Ponte, com 3,3 km, conecta a capital a Vila Velha e virou cartão-postal. O Porto de Tubarão, por onde escoa boa parte do minério de ferro exportado pelo país, impulsionou a economia e ajudou a cidade a alcançar um dos maiores PIBs per capita entre as capitais brasileiras.

Qualidade de vida numa capital compacta?
Sim. O IDHM de 0,845, classificado como muito alto, coloca Vitória na 4ª posição entre todos os municípios do Brasil. A Prefeitura de Vitória investiu nos últimos anos em mobilidade urbana, saúde e educação, e a cidade foi reconhecida como a capital com melhor qualidade de vida e menor custo de vida do país em levantamento publicado pelo Correio Braziliense.
A geografia compacta encurta distâncias. Do centro histórico à praia, do hospital à universidade, quase tudo fica a menos de 20 minutos. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a FUCAPE Business School e a Faculdade de Direito de Vitória (FDV) atraem estudantes e profissionais. O sistema de transporte Transcol integra os municípios da região metropolitana com tarifa única.
Quais bairros escolher para morar na ilha?
Vitória tem cerca de 322 mil habitantes distribuídos em bairros que vão do histórico ao moderno. O mar aparece em quase todos os trajetos.
- Praia do Canto: o mais valorizado, com comércio completo, vida noturna e proximidade da orla. Concentra restaurantes, bares e o circuito conhecido como Triângulo das Bermudas.
- Jardim da Penha: perfil universitário e familiar, próximo à UFES. Ruas arborizadas, supermercados e acesso rápido à Praia de Camburi.
- Enseada do Suá: centro financeiro e institucional, cercado pela Baía de Vitória. Abriga tribunais, secretarias e edifícios corporativos.
- Mata da Praia: residencial e tranquilo, com o Parque Pedra da Cebola e o Parque Botânico da Vale como áreas de lazer.
- Ilha do Boi e Ilha do Frade: bairros insulares de alto padrão, com praias pequenas de águas claras cercadas por vegetação.
O custo de vida é mais acessível que o de Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Um apartamento de dois quartos em bairro valorizado custa, em média, menos que o equivalente nas três vizinhas do Sudeste.
O que o morador faz entre o mar e o manguezal?
A rotina capixaba integra praia, parque, história e gastronomia em poucos quilômetros.
- Praia de Camburi: 6 km de calçadão com ciclovia, quadras e quiosques. Sedia torneios nacionais de vôlei de praia e vela.
- Ilha das Caieiras: reduto de pescadores e desfiadeiras de siri, com restaurantes à beira do manguezal que servem moqueca e torta capixaba.
- Palácio Anchieta: sede do governo estadual, uma das mais antigas do Brasil, com visitas guiadas gratuitas e o túmulo simbólico do Padre José de Anchieta.
- Parque da Fonte Grande: trilhas ecológicas a 308 m de altitude, com vista de 360° da capital e da região metropolitana.
- Projeto Tamar: centro de visitação na Ilha do Papagaio, com aquários de tartarugas marinhas e atividades educativas.
Entre julho e outubro, baleias-jubarte se aproximam da costa capixaba para se reproduzir, tornando Vitória ponto de observação privilegiado.

Moqueca sem dendê e torta capixaba na panela de barro
A moqueca capixaba se diferencia da baiana por não levar azeite de dendê. Peixe, camarão ou siri são cozidos com tomate, coentro, urucum e azeite de oliva, sempre na panela de barro das Paneleiras de Goiabeiras. A torta capixaba, preparada na Semana Santa com frutos do mar e palmito, é outra tradição que não se encontra fora do estado.
Como chegar à capital entre ilhas?
O Aeroporto de Vitória (Eurico de Aguiar Salles) recebe voos diretos das principais capitais do Brasil e fica a 10 km do centro. Por terra, a BR-101 conecta a cidade ao litoral do Espírito Santo e aos estados vizinhos. A BR-262 liga Vitória a Belo Horizonte em cerca de 5h.
Onde o barro vira patrimônio e o mar envolve cada bairro
Vitória entrega o que poucas capitais conseguem: infraestrutura de cidade grande, indicadores sociais entre os melhores do país e o mar sempre à vista. O calçadão de Camburi, as escadarias do centro histórico e o barro moldado à mão em Goiabeiras contam a história de um lugar que cresce sem perder a identidade insular.
Você precisa atravessar uma das sete pontes da ilha e sentir o ritmo de uma capital onde qualidade de vida e brisa marítima dividem o mesmo endereço.