"Descobri a morte do meu pai pelo jornal": Gizelly Bicalho choca com relato igual ao de 'O Agente Secreto' - Super Rádio Tupi
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“Descobri a morte do meu pai pelo jornal”: Gizelly Bicalho choca com relato igual ao de ‘O Agente Secreto’

Ex-BBB se emocionou com filme do Oscar 2026 ao ver cena semelhante a que aconteceu com o seu pai

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Foto: Reprodução/Instagram e Divulgação

Gizelly Bicalho descobriu pelo jornal a morte do pai, assim como acontece em “O Agente Secreto”, filme brasileiro indicado ao Oscar 2026. A ex-BBB, de 34 anos, contou que assistiu ao longa dois dias antes da cerimônia e se emocionou ao reconhecer na trama elementos da própria história.

“Na minha casa tem até hoje o recorte do jornal que retrata a morte do meu pai. A gente descobriu da mesma maneira do filme, pelo jornal”, disse Gizelly em entrevista à Quem. Ela afirma que não sabia nada sobre o enredo com antecedência porque não queria spoiler.

O pai morto a 17 tiros em cidade de pistoleiros

O pai de Gizelly foi assassinado em 1998 em Iúna, no interior do Espírito Santo, com 17 tiros. Produtor rural e comerciante de café e carros, ele foi morto no escritório do próprio armazém. Gizelly descreve Iúna como uma cidade “muito conhecida por pistolagem”.

O assassino confessou o crime, mas escapou da prisão porque havia fugido do flagrante. “Naquela época, se você fugisse do flagrante, não seria preso”, explicou a advogada. O pistoleiro tinha 19 anos à época e, na mesma semana, havia matado o então prefeito da cidade, Wellington Firmino do Carmo. Ele foi a júri pelo homicídio do prefeito, mas nunca pelo do pai de Gizelly. O mandante foi preso posteriormente.

O paralelo com o filme é direto: em “O Agente Secreto”, a morte do protagonista Armando, interpretado por Wagner Moura, não é mostrada em cena. O destino do personagem é revelado por um recorte de jornal encontrado por pesquisadoras no futuro, informando que ele foi morto a tiros no Recife, aos 43 anos.

“Comecei a chorar desesperadamente”, conta a ex-BBB

Gizelly Bicalho. Foto: Reprodução/Instagram

O impacto emocional mais forte veio de uma cena em que o personagem Fernando, já adulto, diz que quase não tem memórias do pai. No filme, Fernando perde o pai quando trocava os primeiros dentes, por volta dos 6 anos, a mesma idade que Gizelly tinha quando ficou órfã.

“Ali, naquela cena, comecei a chorar desesperadamente. Aquela foi a resposta que eu nunca dei a ninguém”, disse ela, que afirma não lembrar mais do rosto nem da voz do pai da mesma forma que o personagem.

O assassino relatou que tentou matar o pai de Gizelly antes, mas havia muita gente no sítio onde a família produzia café. “Seria difícil matá-lo”, disse ela, reproduzindo o relato do pistoleiro.

A escolha pelo Direito, segundo Gizelly, tem origem direta nessa lacuna. “Tenho certeza que esse senso de justiça vem da morte do meu pai, algo que nunca teve justiça. […] As vezes em que tentei lutar pela condenação das pessoas que tinham matado meu pai, fui assediada pelo promotor de justiça, com ele querendo ficar comigo. Isso foi recente, em 2019, pouco antes do BBB.”

Gizelly ainda destacou que o caso do pai quebra um estereótipo comum sobre vítimas de violência. “Meu pai não era pobre, preto, favelado, periférico ou envolvido com tráfico de drogas. Era um empresário e produtor rural”, afirmou, ressaltando que esse tipo de impunidade pode atingir qualquer classe social.

Para encerrar, ela defendeu o papel do cinema na preservação da memória histórica. “As pessoas estão esquecendo de como era o período da ditadura, e estão pedindo a volta”, alertou, lembrando que a Constituição Federal completa 38 anos e que “a volta da democracia é muito recente, um bebê”.