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Especialista alerta para avanço da violência contra mulheres após estupro coletivo no Rio

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O estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre a escalada da violência contra mulheres no país. O crime foi cometido por quatro adultos e um adolescente. Dados do Dossiê Mulher 2024, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), mostram a dimensão do problema no Estado do Rio de Janeiro. Apenas em 2025, mais de 154 mil mulheres foram vítimas de algum tipo de violência, o que representa uma média de 18 casos por hora.

Para o procurador Bruno Garcia Redondo, doutor e mestre em Direito e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os números revelam apenas parte da realidade, já que crimes sexuais estão entre os mais subnotificados no país.

“A violência sexual contra mulheres é uma das formas mais brutais de agressão, não apenas pelo ato em si, mas pelo simbolismo de dominação que carrega. É uma violência que retira da vítima sua dignidade, seus direitos e sua integridade física. Muitas vítimas não denunciam por medo, vergonha ou descrença nas instituições. O silêncio ainda é um dos maiores obstáculos no enfrentamento desse tipo de violência.”, explicou.

No Brasil, o estupro é considerado crime grave previsto no Código Penal, com pena de 6 a 10 anos de reclusão. Quando existem agravantes — como participação de duas ou mais pessoas, vítima menor de idade, lesão corporal grave ou restrição da liberdade — as penas podem ser ampliadas, podendo ultrapassar 12 anos e chegar a até 30 anos de prisão.

“A violência contra mulheres não nasce de um único fator. Ela é resultado de uma combinação de elementos sociais, culturais e institucionais, como a desigualdade de gênero, a naturalização da violência e a persistente ideia de controle sobre o corpo feminino. Toda mulher conhece o medo desde cedo. Isso mostra que não estamos diante de episódios pontuais, mas de um fenômeno social que precisa ser enfrentado de forma coletiva.”, disse.

O especialista defende que ampliar o debate público é fundamental para combater o problema.

“Precisamos discutir prevenção, fortalecer mecanismos de proteção às vítimas e garantir punição efetiva aos agressores. Quando a sociedade se cala, quem se beneficia são os autores da violência.”, conclui.