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Águas do Rio inicia obras históricas de esgoto no Complexo da Maré

Águas do Rio investe R$ 120 mi e usa tecnologia para levar esgoto tratado a 200 mil pessoas

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Foto: Reprodução

Um investimento de R$ 120 milhões inicia uma nova era para o saneamento básico no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. A iniciativa da Águas do Rio tem como foco principal a coleta e o tratamento de esgoto para os aproximadamente 200 mil moradores da região, visando solucionar desafios históricos de infraestrutura.

A principal meta ambiental do projeto é ambiciosa: impedir que 1,3 bilhão de litros de esgoto, volume equivalente a 520 piscinas olímpicas, sejam despejados mensalmente na Baía de Guanabara. Esse efluente, atualmente lançado em valões e rios, será direcionado para tratamento adequado, representando um avanço significativo para a cidade e o meio ambiente fluminense.

Novas Redes e Tronco Coletor

As obras, com previsão de duração de dois anos, foram anunciadas pela concessionária Águas do Rio, que faz parte do grupo Aegea. O projeto contempla a construção de um tronco coletor com 4,5 quilômetros de extensão e até 1,50 metro de diâmetro. Essa tubulação, que poderá atingir 11 metros de profundidade, passará sob a Rua Principal do complexo, interceptando o esgoto que hoje polui canais e rios locais. Além disso, 18 quilômetros de novas redes de esgoto estão em implantação, com dois quilômetros já concluídos, conectando residências e comércios ao sistema principal.

A recuperação do Rio Ramos também integra as intervenções. Milhões de litros de esgoto de casas situadas em suas margens serão desviados para a nova tubulação, impedindo a contaminação direta. Todo o efluente coletado no Complexo da Maré será encaminhado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, a maior do estado, localizada na Zona Portuária carioca.

Foto: Reprodução

Para minimizar os transtornos no cotidiano dos moradores, a instalação do tronco coletor na Rua Principal empregará uma técnica construtiva não destrutiva. Quatro equipamentos, conhecidos como “tatuzinhos”, trabalharão simultaneamente, escavando o subsolo e instalando a tubulação de forma progressiva. Esse método evita a abertura de grandes valas e bloqueios de vias, limitando as intervenções a canteiros menores e agilizando o processo.

Por décadas, a Maré, que é o maior conjunto de favelas do Rio, conviveu com a ausência de planejamento urbano, caracterizada por becos, vielas e esgoto a céu aberto. Tal realidade comprometeu a saúde e a qualidade de vida de seus 200 mil habitantes, distribuídos em 16 comunidades. O objetivo é reduzir problemas como extravasamentos, valões expostos, proliferação de vetores de doenças e o mau cheiro que afeta a rotina da população.

Voz dos Investimentos e Comunidade

“A chegada das obras à Maré representa muito mais do que infraestrutura: é a democratização da qualidade de vida, da saúde e da dignidade para 200 mil pessoas”, afirmou Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio. Ele também destacou que as equipes de trabalho serão formadas por moradores da própria Maré.

Em paralelo às ações de esgotamento sanitário, o sistema de abastecimento de água na Maré também passará por modernização para otimizar o fornecimento. O programa Vem Com a Gente já atua na implantação de redes e na regularização do abastecimento de 60 mil residências e comércios. O trabalho inclui inspeções para identificar e reparar vazamentos.

Para aumentar a eficiência e a segurança operacional, a concessionária fará a setorização do sistema. Sete macromedidores e 40 novos registros serão instalados em pontos estratégicos das tubulações. Essa medida permitirá isolar trechos específicos da rede em caso de manutenção, diminuindo o número de pessoas afetadas por interrupções temporárias no fornecimento.

Além da infraestrutura, a Águas do Rio planeja impulsionar a transformação social. A contratação de residentes da própria Maré é uma prioridade, refletindo a cultura da empresa, onde metade dos 10,8 mil funcionários diretos e indiretos vive em comunidades.

Iniciativas de Responsabilidade Social da concessionária serão implementadas, como o programa “Saúde Nota 10”. Ele utiliza atividades lúdicas para abordar temas de sustentabilidade e preservação ambiental. O projeto será levado às 54 escolas da Maré, envolvendo estudantes, jovens e educadores em experiências práticas sobre o uso da água e tratamento de esgoto. O diálogo com lideranças comunitárias será reforçado pelo programa “Afluentes”.

Desde o início de suas operações, há pouco mais de quatro anos, a Águas do Rio já investiu R$ 5,5 bilhões em melhorias nos sistemas de água e esgoto nas 27 cidades que atende. As obras na Maré são um novo passo nesse processo e visam à universalização da coleta e tratamento de esgoto até 2033, com previsão de R$ 19 bilhões em investimentos totais, sendo R$ 2,7 bilhões dedicados à região da Baía de Guanabara.