Rio
PF mira ex-prefeito de Belford Roxo e delegado em investigação sobre esquema de R$ 7,6 bilhões
PF cumpre 19 mandados em cinco cidades do Rio. Ex-prefeito Márcio Canella e o delegado Marcus Amim estão entre os alvos
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (7), a 6ª fase da Operação Unha e Carne para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
Entre os alvos dos 19 mandados de busca e apreensão estão o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e o ex-secretário estadual de Polícia Civil, delegado Marcus Amim, além de outros agentes públicos investigados por possíveis ligações com grupos criminosos.
As investigações tiveram início após um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar que o grupo movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Segundo a PF, a organização utilizaria uma rede de postos de combustíveis como fachada para ocultar recursos ilícitos, com suposta anuência de agentes públicos.
De acordo com a corporação, além de organização criminosa, os investigados poderão responder por lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e outros crimes que possam ser identificados ao longo das apurações.
Mandados em cinco cidades do Rio

As diligências ocorrem nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Além das buscas, a Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas das empresas ligadas ao grupo investigado.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II e faz parte das investigações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a apuração de possíveis relações entre agentes públicos e facções criminosas no estado do Rio de Janeiro.
Operação Unha e Carne
Na 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira (2), a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra o empresário Fernando Trabach Gomes, proprietário de uma rede de postos de combustíveis.
Segundo as investigações, durante a campanha à reeleição do então governador Cláudio Castro (PL), em 2022, postos pertencentes ao empresário abasteceram a maior parte da frota utilizada pelo candidato. A prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a campanha desembolsou R$ 478 mil na compra de cerca de 70 mil litros de diesel, sendo que dez dos doze postos fornecedores pertenciam a Trabach.
As buscas da fase anterior tiveram como objetivo esclarecer as ligações do empresário com Cláudio Castro e com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar. Após a posse de Castro, empresas ligadas a Trabach passaram a firmar contratos com o Governo do Estado.
O empresário também já foi investigado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por suspeita de integrar uma organização criminosa. Na ocasião, sua defesa foi conduzida por Rodrigo Bacellar.