Rio
Após 20 dias, menina baleada em Zona Oeste deixa hospital recuperada: “Dias de angústia”
Heloísa, de 10 anos, passou 20 dias internada e seguirá tratamento em casa e em centros
Heloisa da Paixão Pinho, de 10 anos, teve alta nesta segunda-feira (23) do Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, depois de quase três semanas internada por causa de um ferimento de bala na perna esquerda. A criança foi atingida por um projétil perdido no início de março, na Rua Horizontina, em Inhoaíba, enquanto saía da escola.
O quadro chegou a oferecer risco de vida e de sequelas permanentes, mas ela deixou a unidade em condições de retomar a rotina.
No mesmo episódio, a irmã de Heloisa, Marilia Leticia, de 14 anos, e outra criança de 10 anos também foram baleadas. Havia um tiroteio em uma comunidade próxima. As três foram encaminhadas ao Rocha Faria: a menina com ferimentos mais leves recebeu alta no mesmo dia, e Marilia, três dias depois. O caso de Heloisa foi o mais grave dos três.
Cirurgia de emergência preservou perna e vida da menina

Ao chegar ao hospital, Heloisa foi atendida na Sala Vermelha por uma equipe multidisciplinar, entubada e submetida a uma cirurgia de emergência. A responsável pelo procedimento foi a cirurgiã Luana Gouvêa, especialista em cirurgia geral e vascular. Apesar de o Rocha Faria não ser referência em cirurgia vascular, ela avaliou que transferir a paciente naquele momento seria arriscado. “Optamos por levá-la imediatamente ao Centro Cirúrgico, já que uma transferência, naquelas condições, poderia comprometer o tempo de resposta”, explicou.
A médica também destacou a gravidade típica desse tipo de ferimento. “Em ferimentos por arma de fogo nos membros inferiores, há uma preocupação com a possibilidade de lesão vascular”, disse, explicando que a demora poderia levar à isquemia grave, amputação ou morte. A criança já havia perdido muito sangue quando chegou à unidade.
Fisioterapia foi decisiva para Heloisa voltar a caminhar
Ao longo da internação, Heloisa passou por novas intervenções cirúrgicas. Com a melhora do quadro, foi transferida da UTI para a enfermaria e iniciou a reabilitação com fisioterapia motora. O coordenador médico da Pediatria, Helder Souza, afirmou que a resposta rápida da equipe foi essencial: “A paciente foi recebida em estado grave e imediatamente assistida. A fisioterapia motora foi fundamental para a recuperação da mobilidade”, resumiu. Heloisa passou a se locomover com o auxílio de andador antes de receber alta.
O pai da menina, Geovane da Paixão, falou sobre a tensão dos dias de internação. “Foram dias de angústia”, disse, acrescentando que a alta representou um alívio, ainda que a recuperação não esteja concluída. “Saímos daqui mais seguros e confiantes”, afirmou, após a família receber orientações do Programa de Assistência Domiciliar ao Idoso (PADI), que atende pacientes de todas as idades e fará o acompanhamento de Heloisa em casa, incluindo curativos.
Após a alta, a menina seguirá em acompanhamento ambulatorial de pediatria e cirurgia geral no próprio Rocha Faria, além de continuar a reabilitação no Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste. A irmã Marilia Leticia também será acompanhada nessa mesma unidade.