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Como 10 mil pessoas erguem uma cidade de gelo gigante em apenas 30 dias de trabalho

Blocos do rio, estrutura metálica e luzes dão forma a uma cidade feita para durar pouco

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Como 10 mil pessoas erguem uma cidade de gelo gigante em apenas 30 dias de trabalho
Cidades de gelo no norte da China são construídas anualmente durante o inverno rigoroso - Créditos: Imagem ilustrativa

Uma cidade inteira construída quase do zero, em pleno inverno do norte da China, chama a atenção não apenas pelo tamanho, mas pela velocidade com que surge e desaparece. Em poucas semanas, uma área maior que muitos bairros urbanos se transforma em um enorme parque de esculturas, torres e palácios criados a partir de gelo e neve, erguido com planejamento minucioso, alto investimento e um calendário rígido, já que cada dia de atraso coloca em risco a abertura ao público.

Como funciona o festival de cidade de gelo na China?

O chamado festival de cidade de gelo tornou-se um símbolo de como engenharia, logística e arte podem atuar juntas em condições extremas. A iniciativa movimenta cerca de 10 mil trabalhadores, envolve centenas de milhares de metros cúbicos de gelo e neve e consome um orçamento estimado em algo próximo de R$ 2,6 bilhões.

No entanto, toda essa infraestrutura monumental tem prazo de validade e dura pouco mais de 60 dias, até que o aumento das temperaturas faça o cenário se transformar novamente em paisagem de rio e solo exposto. Nesse período, o parque recebe milhões de visitantes, impulsiona o turismo internacional e projeta a imagem da cidade-sede para o mundo.

Como 10 mil pessoas erguem uma cidade de gelo gigante em apenas 30 dias de trabalho
A obra corre contra o vento, o degelo e o calendário para erguer um mundo congelado

Como uma cidade de gelo de R$ 2,6 bilhões é planejada e construída?

A expressão cidade de gelo descreve um complexo temporário que imita uma metrópole, com ruas, praças, castelos, templos, escorregadores, pontes e prédios esculpidos em blocos de gelo e volumes de neve compactada. O processo, porém, não começa quando o primeiro turista entra, mas muitos meses antes, com cronogramas que envolvem equipes de arquitetura, engenharia e cenografia.

Parte do gelo é retirada do rio congelado ainda em janeiro da temporada anterior e armazenada em grandes pilhas protegidas, garantindo um estoque inicial para a próxima edição. Assim, quando o inverno seguinte se aproxima e o solo volta a endurecer, as equipes já dispõem de blocos prontos para iniciar as estruturas principais, acelerando a fase mais crítica do cronograma de 30 dias.

Como o gelo é extraído do rio e aproveitado na cidade de gelo?

Esse armazenamento prolongado envolve coberturas de palha, lonas claras e materiais isolantes que reduzem o ganho de calor solar. O objetivo é transformar essas pilhas em verdadeiros “cofres térmicos”, onde o interior se mantém bem abaixo de zero durante quase todo o ano, reduzindo perdas e garantindo qualidade do material.

Quando a camada de gelo do rio atinge espessura adequada, máquinas com serras circulares cortam o leito congelado em linhas paralelas, formando um grande “xadrez” sobre a superfície. Em seguida, trabalhadores usam ferramentas metálicas para separar blocos que podem pesar centenas de quilos, exigindo coordenação intensa entre equipes de corte, remoção e transporte.

Como os blocos de gelo são transportados e selecionados?

O ritmo de extração precisa ser constante: se um bloco permanece parado por muito tempo, tende a voltar a aderir ao gelo do rio. Por isso, o material é deslocado por canais abertos na superfície congelada, puxado até a margem, içado por guindastes e empilhado em pátios específicos próximos ao canteiro de obras.

Nesses pátios, os blocos que serão usados na nova temporada se juntam à reserva pré-armazenada, formando montanhas de gelo classificadas conforme qualidade e transparência. Essa triagem é fundamental para definir o melhor uso de cada tipo de bloco nas diferentes partes do parque.

  • Blocos mais claros e homogêneos: usados em fachadas visíveis e áreas de iluminação interna.
  • Blocos com pequenas imperfeições: aplicados em partes internas e reforços estruturais.
  • Fragmentos e sobras: aproveitados em “argamassa de gelo” para unir peças e fazer reparos.

Conteúdo do canal Manual do Mundo, com mais de 20 milhões de inscritos e cerca de 4.8 milhões de visualizações, reunindo vídeos sobre obras grandiosas, projetos extremos e criações que surpreendem pela complexidade e pela dimensão:

Como a engenharia garante a estabilidade e a segurança da cidade de gelo?

Apesar de parecer uma grande escultura, a maior cidade de gelo do mundo funciona como uma obra de engenharia em escala real. Em construções pequenas, o gelo consegue atuar como parede e acabamento ao mesmo tempo, mas, quando a intenção é levantar torres que lembram arranha-céus congelados, entra em cena um esqueleto metálico interno.

Estruturas de aço projetadas para baixas temperaturas dão suporte a parte das edificações mais altas e a passarelas movimentadas. Ao mesmo tempo, eletricistas instalam quilômetros de cabos e pontos de luz dentro das paredes de gelo, cada conexão sendo selada com cuidado para resistir à umidade, ao vento e às mudanças de temperatura.

Como a neve é trabalhada para criar esculturas monumentais?

Paralelamente ao uso dos blocos de gelo, equipes especializadas trabalham com neve compactada para criar figuras monumentais que complementam as construções. A técnica lembra o trabalho em pedra: grandes volumes são erguidos com neve soprada e comprimida e, depois, talhados de cima para baixo.

Dessa forma, surgem fachadas, relevos e esculturas inspiradas em temas culturais e históricos da região, incluindo referências à arquitetura chinesa tradicional e a lendas locais. Assim, a cidade gelada se divide em áreas de palácios translúcidos, templos de neve branca, escorregadores longos e praças para circulação de visitantes.

Como o clima interfere na vida útil da maior cidade de gelo do mundo?

O frio extremo é aliado e, ao mesmo tempo, desafio para o funcionamento do parque de gelo. Ventos fortes podem suspender operações com guindastes e trabalhos em altura, enquanto oscilações de temperatura podem fissurar superfícies ou deixar trechos mais escorregadios, exigindo inspeções constantes.

Mesmo após a inauguração, equipes seguem em atividade para inspecionar escadas, corrimãos, passagens e o grande escorregador de gelo, uma das atrações mais procuradas. Em dias de sol intenso, pequenas perdas superficiais são corrigidas com misturas de gelo e neve que funcionam como um revestimento de proteção.

  1. Inverno intenso: permite a construção da cidade de gelo e neve.
  2. Período de exibição: cerca de 60 dias de funcionamento ao público.
  3. Degelo progressivo: estruturas se enfraquecem e começam a ceder.
  4. Desmontagem e retorno: equipamentos são retirados e o rio volta a dominar a paisagem.

Todos os anos, o ciclo se repete e a cidade de gelo volta ao mesmo ponto de partida: o rio congelado que fornece a matéria-prima. Combinando planejamento anual, uso intensivo de mão de obra e soluções de engenharia adaptadas ao frio extremo, essa metrópole efêmera mobiliza bilhões de reais, movimenta o turismo internacional e, ainda assim, está destinada a desaparecer em poucas semanas, até o próximo inverno chegar.