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Governador interino exonera aliados de Castro e coloca nome ligado a Eduardo Paes no comando do GSI

Delegado que atuava na Força Municipal da prefeitura do Rio assume a segurança institucional do governo; de três exonerados, apenas Bittencourt pediu para sair

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Palácio Guanabara, sede do governo do RJ
Palácio Guanabara, sede do governo do RJ. (Foto: Divulgação)

Uma semana depois de assumir interinamente o governo do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto deu os primeiros sinais de que pretende imprimir marca própria no Palácio Guanabara. O Diário Oficial desta terça-feira (31) publicou decretos assinados na véspera pelo governador em exercício com a exoneração de dois secretários de Estado do núcleo de confiança de Cláudio Castro (PL) e a nomeação de um substituto com vínculos diretos com a prefeitura do Rio.

Foram afastados o secretário de Governo, Jair de Siqueira Bittencourt Júnior (PL), e o secretário de Estado do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Edu Guimarães de Souza. Em ato separado, o secretário da Casa Civil também exonerou o assessor Fernando Cezar Jorge Hakme, que ocupava cargo comissionado DAS-8 na pasta.

Os decretos revelam dinâmicas distintas: A saída de Bittencourt é registrada expressamente “a pedido”. na noite de segunda (30), antes da publicação, o deputado estadual já havia gravado um vídeo nas redes sociais anunciando a decisão. Ele ocupava a secretaria havia apenas uma semana, nomeado pelo próprio Castro no dia da renúncia. Justificou a saída alegando que a expectativa inicial era de uma transição rápida, o que não se confirmou diante do impasse jurídico sobre a sucessão.

Já o decreto que afasta Edu Guimarães não traz a expressão “a pedido”, o que indica que a decisão partiu do próprio governador interino. Guimarães comandava o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão estratégico em qualquer administração, e especialmente sensível em meio à crise política que o estado atravessa.

Leão assume a segurança institucional do governo

Para o lugar de Guimarães, Couto nomeou o delegado de Polícia Civil Roberto Lisandro Leão, que assume com o mesmo status de secretário de Estado. A troca foi formalizada no mesmo processo administrativo, sem intervalo de vacância no comando do GSI.

Até a nomeação, Lisandro Leão era corregedor-geral da Força Municipal, a divisão de elite da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, cargo para o qual foi nomeado pela prefeitura de Eduardo Paes em agosto de 2025. A trajetória dele na estrutura municipal é um dado político relevante: ao trazer para o governo estadual um nome vindo diretamente da órbita de Paes, Couto sinaliza proximidade com o grupo do PSD, partido que pediu ao STF a suspensão da eleição indireta na Alerj e defende o voto direto da população para a escolha do governador-tampão.

Lisandro Leão é delegado de carreira, com passagens pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) e pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), onde foi responsável pelo primeiro núcleo de investigação de mortes de policiais e por policiais. Tem mestrado em Administração Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e especializações em compliance, prevenção à corrupção e inteligência em segurança pública.

O pano de fundo: uma crise sem prazo para acabar

As movimentações no primeiro escalão acontecem em um dos momentos de maior instabilidade institucional da história recente do estado. Castro renunciou em 23 de março, véspera da retomada de seu julgamento no TSE, onde foi condenado por 5 votos a 2 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022 e declarado inelegível até 2030. O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), também foi cassado e declarado inelegível na mesma sessão.

Desembargador Ricardo Couto de Castro. Foto: Camilla Alcântara/ Divulgação: AMAERJ

Com a vice-governadoria vaga desde a saída de Thiago Pampolha para o TCE-RJ e a linha sucessória na Assembleia comprometida, Couto, presidente do Tribunal de Justiça, foi alçado ao Executivo por força constitucional. Ele próprio reconheceu em entrevista à Folha de S.Paulo que um presidente de tribunal não está preparado para governar, e que sua atuação seria voltada a medidas emergenciais durante a transição.

O STF marcou para 8 de abril o julgamento que vai definir se a escolha do novo governador será por eleição indireta na Alerj ou por voto direto. Até lá, cada nomeação e cada exoneração do interinato ganha peso desproporcional e a chegada de um nome ligado a Eduardo Paes ao comando do GSI é, até agora, o movimento de maior carga política de Ricardo Couto à frente do Palácio Guanabara.