Rio
Sequência de acidentes aéreos no RJ acende alerta na aviação geral
Três quedas em quatro meses deixaram vítimas fatais e levantam preocupações sobre segurança, condições climáticas e necessidade de treinamento e manutenção das aeronaves.
O estado do Rio registrou, nos últimos quatro meses, três acidentes aéreos do segmento de aviação geral, que são as operações aéreas civis não comerciais, com os três casos registrados no período, resultando na morte de todos os tripulantes das aeronaves.
O primeiro deles ocorreu em dezembro de 2025, quando um avião de pequeno porte, usado para propagandas, caiu na orla da praia de Copacabana. A situação de vôo era considerada normal, mas, de acordo com a Secretaria de Ordem Pública, a aeronave não tinha autorização para realizar campanhas publicitárias.
Em janeiro, três pessoas morreram na queda de um helicóptero em Guaratiba, que caiu em uma área de mata, ocasionando na morte de um major da Força Aérea Brasileira, um capitão do Corpo de Bombeiros e um instrutor de voo.
O caso mais recente aconteceu no último domingo (29/03), em Rio Claro, em um acidente que matou pai e filho que estavam em um avião de pequeno porte, que teria colidido com um morro, embora as circunstâncias do acidente ainda sejam desconhecidas.
A reportagem da Super Rádio Tupi conversou com o especialista em gerenciamento de riscos, Gerardo Portela, que explicou as principais causas desses acidentes e o que pode influenciar na ocorrência deles.
“Operações em baixa altitude, voos de instrução, onde você tem uma margem de erro pequena para tomar a decisão e reverter uma situação ruim e também situação da geografia mesmo do Rio de Janeiro, das condições climáticas.” – disse o especialista, que explicou que relevo acidentado do rio faz com que a proximidade terra-mar subitamente interfira nas condições meteorológicas, o que gera riscos para a aviação geral.
O especialista também explicou o que pode ser melhorado para tornar esses voos mais seguros, defendendo que a melhor resposta possível é o treinamento de resposta à emergência.
“Quando você tem, por exemplo, helicópteros, você precisa saber fazer um pouso de auto rotação para tentar reduzir as consequências de uma pane de motor, por exemplo, e isso precisa ser exaustivamente treinado […] Também é importante a manutenção preventiva desses equipamentos.”
É importante ressaltar que esses acidentes ocorreram no segmento de aviação geral e não comercial, com o segundo tipo de voos não tendo registrado acidentes, sendo considerados mais seguros, por cumprirem protocolos rígidos de segurança.
Os três acidentes são investigados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea Brasileira.
No caso mais recente, investigadores realizaram uma perícia no local do acidente e aguardam análise das caixas pretas, mas não há prazo para divulgação de um relatório da investigação.