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A única cidade brasileira entre as 10 melhores do mundo para comer, segundo a Lonely Planet
Entre restaurantes e cultura, virou referência mundial em gastronomia.
No Mercado Ver-o-Peso, o açaí não leva granola nem banana. Chega de barco na madrugada, é batido na hora e servido com farinha de mandioca e peixe frito. Belém, capital do Pará, carrega o selo de Cidade Criativa da Gastronomia concedido pela UNESCO em 2015 e, em 2025, foi eleita pela Lonely Planet como uma das dez melhores cidades gastronômicas do planeta. A única cidade brasileira da lista.
A cidade que nasceu de um forte e cresceu com a borracha
Belém foi fundada em 1616, quando os portugueses ergueram o Forte do Presépio para garantir o domínio do vale amazônico. O núcleo colonial ao redor, batizado de Feliz Lusitânia, deu origem à Cidade Velha, o bairro mais antigo da capital. Entre 1890 e 1920, o ciclo da borracha trouxe riqueza e urbanização acelerada. Desse período nasceram o Theatro da Paz, inspirado no Teatro Scala de Milão, e o edifício do Ver-o-Peso em estilo art nouveau.
A cidade guarda 42 ilhas no chamado Arquipélago de Belém e fica às margens da Baía do Guajará, onde rios e mar se confundem. Percorrer o centro histórico é encontrar casarões com fachadas de azulejos portugueses da Belle Époque convivendo com barcos de pesca e vendedores de ervas medicinais.

O que a mesa paraense oferece de diferente?
A Lonely Planet escreveu que “comer em Belém é um ato político e cultural”. A culinária nasce do cruzamento de tradições indígenas, africanas e portuguesas, temperada por ingredientes que só existem na Amazônia. Estes são os pratos que definem a experiência.
- Pato no tucupi: pato assado e cozido no suco extraído da mandioca brava, servido com jambu (erva que anestesia os lábios). Prato símbolo do Círio de Nazaré.
- Tacacá: cuia com tucupi quente, goma de tapioca, camarão seco e jambu. É vendido nas ruas por tacacazeiras em seus carrinhos identificados por uma bandeirinha vermelha.
- Maniçoba: comparada à feijoada, leva folhas de maniva (mandioca brava) trituradas e cozidas por sete dias para eliminar toxinas, misturadas com carnes suínas e bovinas.
- Açaí paraense: servido puro, espesso e sem açúcar, acompanhado de peixe frito, camarão seco e farinha d’água. Sobremesa é no resto do Brasil; em Belém, é refeição.
- Filhote e pirarucu: peixes amazônicos preparados grelhados, cozidos ou em caldeirada. O filhote é considerado uma das carnes de peixe mais nobres do país.
Belém, a Metrópole da Amazônia, é apresentada como uma cidade que une história colonial, modernidade e uma rica biodiversidade. O vídeo do canal Coisas do Mundo, com 105 mil inscritos, explora por que a capital paraense é um dos principais polos econômicos e turísticos da região Norte:
O que visitar além da mesa?
Belém mistura história colonial, natureza amazônica e uma cena cultural que se renova com a proximidade da COP 30, prevista para novembro de 2025.
- Mercado Ver-o-Peso: existente no local desde 1625, é a maior feira a céu aberto da América Latina. Mais de 2 mil barracas espalham frutas, peixes, ervas, temperos e perfumes amazônicos por 25 mil m².
- Estação das Docas: antigos armazéns portuários do século XIX convertidos em complexo gastronômico e cultural à beira da Baía do Guajará. O pôr do sol visto dali é um dos mais bonitos da cidade.
- Basílica de Nossa Senhora de Nazaré: templo neoclássico iniciado em 1909, ponto de chegada do Círio de Nazaré, a maior procissão religiosa do Brasil, que reúne mais de 2 milhões de pessoas no segundo domingo de outubro.
- Forte do Presépio: fortificação de 1616 que originou a cidade. Hoje abriga museu com acervo sobre a fundação de Belém e os povos amazônicos.
- Mangal das Garças: parque zoobotânico de 40 mil m² às margens do Rio Guamá, com lagos, aves, vegetação típica e restaurante.
- Museu Paraense Emílio Goeldi: o mais antigo centro de pesquisa da Amazônia, com parque zoobotânico aberto ao público.

A Feira do Açaí que começa antes do sol nascer
Quem acorda às 5h da manhã pode assistir à chegada dos barcos carregados de açaí no cais, bem perto do Ver-o-Peso. A Feira do Açaí é onde a polpa é descarregada e distribuída para toda a cidade. O ritual acontece de madrugada e revela a importância do fruto na economia e na cultura paraense.
Para identificar onde comprar açaí batido na hora, procure as bandeirinhas vermelhas na porta dos batedores espalhados pelas ruas. A Sorveteria Cairu, fundada em 1964, foi eleita pelo TasteAtlas como uma das 100 sorveterias mais icônicas do mundo, com destaque para o sorvete de açaí.
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Quando visitar a capital paraense?
Belém é quente o ano inteiro. A variação fica na intensidade das chuvas, que definem a alta e a baixa temporada.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à porta de entrada da Amazônia?
O Aeroporto Internacional de Belém recebe voos diretos de São Paulo, Brasília, Manaus, Fortaleza e outras capitais, além de conexões internacionais. Do aeroporto ao centro são cerca de 15 km. Dentro da cidade, a maioria das atrações históricas fica concentrada nos bairros Cidade Velha e Campina, acessíveis a pé ou por aplicativo de transporte. Passeios de barco para as ilhas do entorno partem do cais próximo ao Ver-o-Peso.
A cidade onde a floresta chega à mesa todos os dias
Belém é o lugar onde a Amazônia deixa de ser paisagem e vira ingrediente. O tucupi, o jambu, o açaí, o pirarucu, tudo sai da floresta, passa pelo rio, desembarca no Ver-o-Peso e chega ao prato com a mesma intensidade de sempre. Poucas cidades no mundo oferecem essa conexão tão direta entre ecossistema e gastronomia.
Você precisa tomar um tacacá no fim da tarde, ver o açaí chegando de barco ao amanhecer e sentir na língua o que a UNESCO e a Lonely Planet já reconheceram: Belém é uma das grandes capitais da comida no planeta.