Botafogo
Botafogo aciona Justiça contra o Lyon e exige pagamento superior a R$ 745 milhões
SAF alvinegra detalha 11 transferências e empréstimos não honrados pelo clube francês
O Botafogo deu um passo decisivo em sua gestão administrativa e jurídica ao protocolar, na última sexta-feira (03), uma série de ações judiciais contra o Olympique Lyonnais. O clube carioca busca reaver valores superiores a R$ 745 milhões, montante vital para a saúde financeira da SAF. O objetivo é garantir a continuidade do projeto esportivo que recolocou o Alvinegro no topo do futebol sul-americano.
A disputa tem origem no modelo colaborativo da Eagle Football, rede multiclubes liderada pelo empresário John Textor. Desde a implementação da SAF em 2022, o intercâmbio de recursos e atletas entre os clubes do grupo foi utilizado como estratégia competitiva. Essa sinergia, que impulsionou o Botafogo aos títulos da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2024, também foi o que salvou o Lyon de uma queda iminente para a segunda divisão francesa. Assim, garantindo ao clube francês uma vaga na Liga Europa após uma recuperação histórica.
O contexto dos empréstimos e a crise institucional
De acordo com o Botafogo, os repasses financeiros — realizados sob a forma de empréstimos — ocorreram em um momento crítico para a equipe francesa. Quando a Eagle adquiriu o Lyon, o clube enfrentava um cenário de insolvência, com pressão bancária e ameaças de sanções severas por parte dos órgãos de controle financeiro da França (DNCG). Para estabilizar o parceiro europeu, o Glorioso aportou os R$ 745 milhões com a garantia de reembolso futuro.
No entanto, a relação entre as instituições azedou após conflitos internos entre os sócios do grupo. A nova presidência do Lyon optou por romper unilateralmente o acordo de colaboração. O clube francês se recusa a quitar os débitos, apesar de ter usufruído do capital brasileiro para se estabilizar. Além da dívida com o Botafogo, os franceses também devem cerca de € 12 milhões ao RWDM Brussels, que também integra a rede multiclubes.
“A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas”, afirmou o clube carioca em nota oficial.
Consequências esportivas e rigor jurídico
A falta de pagamento trouxe prejuízos práticos e imediatos ao Botafogo. O desequilíbrio no fluxo de caixa resultou, inclusive, na aplicação de um transferban pela FIFA ao final de 2025, impedindo o time de registrar novos jogadores. A diretoria alvinegra classifica o atual movimento jurídico como “irreversível” diante do cenário de inadimplência. Com isso, o Botafogo pretende esgotar todas as instâncias legais para assegurar que seu patrimônio seja preservado e os recursos, integralmente devolvidos.