Rio
Dia Nacional de Combate ao Bullying reforça importância de escolas mais seguras e acolhedoras
Data lembra os 15 anos do Massacre de Realengo e destaca impactos emocionais da violência na vida de crianças e adolescentes.
Nesta terça-feira (07/04), é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas escolas, data escolhida em memória ao Massacre de Realengo, que hoje completa 15 anos.
O objetivo é promover ambientes educacionais cada vez mais respeitosos, seguros e acolhedores para estudantes, educadores e toda a comunidade escolar, uma proposta para fortalecer a convivência escolar.
Na ocasião do massacre, um jovem entrou na escola municipal Tasso da Silveira, na Zona Oeste do Rio, com dois revólveres. Ele matou 12 alunos, feriu mais 10 pessoas, e cometeu suicídio após ser baleado por policiais.
O assassino deixou vídeos e uma carta de suicídio, alegando, entre outros fatores, que sofreu bullying durante o período em que estudou na escola. O ataque motivou a criação do Dia de Combate ao Bullying, que se tornou um dia de conscientização contra esse tipo de prática.
Entrevistada pela reportagem da Super Rádio Tupi, a pedagoga Júlia Nobre detalhou o impacto do bullying na socialização dos alunos nas escolas.
“A criança tem que se sentir bem para aprender alguma coisa, para estar ali internalizando alguma coisa, conseguir prestar atenção, ter foco, tirar suas dúvidas. Então, quando ela está passando por esse tipo de situação, a cabeça dela […] vai estar ali tentando entender como ela sai dessa situação, por que ela está passando por isso.” – explicou a profissional, que afirmou que o impacto dessas práticas é enorme, porque a criança vai buscar sempre se isolar, evita pedir ajuda, trabalhar em grupo.
Como estratégia de combate, o Ministério da Educação tem desenvolvido iniciativas voltadas ao fortalecimento da convivência escolar e a construção de uma cultura de paz nas escolas brasileiras, ações que integram o programa Escola que Protege.
A proposta parte do entendimento de que nomear, reconhecer e dialogar sobre as violências é o primeiro passo para preveni-las e enfrentá-las de forma efetiva. O repórter Thierry Leal conversou com um psicólogo que analisa os impactos emocionais do bullying para crianças e adolescentes.
O psicólogo André Machado, mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio, também entrevistado pela nossa reportagem, explicou que as crianças vítimas de bullying têm a autoestima destruída e passam a ter tendências de autodestruição.
“A criança ou adolescente que sofre bullying, vive com medo, vergonha, tristeza constante. Isso pode levar a problemas de saúde mental como ansiedade, depressão, em casos mais graves até pensamentos ou tentativos de suicídio.” – declarou o psicólogo, que apontou que o desempenho acadêmico tende a cair bastante, pois a pessoa não se sente segura e as vezes acaba faltando aulas graças aos prejuízos à autoestima, afetando também nas relações com a amizade e a família.
O psicólogo destacou também que o ambiente familiar é essencial na formação das crianças, ensinando conceitos como empatia e respeito à diversidade.