Dia da Mulher Sambista celebra legado de Dona Ivone Lara e destaca protagonismo feminino no samba - Super Rádio Tupi
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Dia da Mulher Sambista celebra legado de Dona Ivone Lara e destaca protagonismo feminino no samba

Data marca aniversário da artista e reforça a luta por espaço de mulheres como Alcione, Beth Carvalho e novas gerações nas escolas e no Carnaval carioca

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Ivone Lara - Império Serrano 2012 - Outra baluarte da escola de Madureira que também foi homenageada em vida, foi a eterna Ivone Lara. A cantora esteve na Sapucaí e recebeu os aplausos do público. Na apuração, a Serrinha ficou com o vice-campeonato da então Série A, segunda divisão do carnaval carioca, e não retornou à elite na ocasião.

Nesta segunda-feira, dia 13 de abril, o Mundo do Samba comemora o Dia Nacional da Mulher Sambista, data que reconhece e valoriza as mulheres que desempenham um papel fundamental no gênero, e foi escolhida a dedo. 

Isso porque hoje é o aniversário de Dona Ivone Lara da Costa, a grande dama do samba, que se estivesse viva, celebraria hoje 105 anos. 

Nascida em Botafogo, na zona sul do Rio, foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores do Império Serrano, assinando o samba enredo “Os cinco bailes da história do Rio”, ao lado de Silas de Oliveira e Bacalhau, samba que levou o Reizinho de Madureira ao vice campeonato, em 1965. 

A reportagem da Super Rádio Tupi conversou com Flávio França, presidente do Império Serrano, que falou sobre o legado de Dona Ivone Lara e sua importância para a escola.

“[Com] Dona Ivone Lara, Tia Ciata, Vovó Maria Joana, Tia Eulália, Quitérias Chagas, o Império Serrano floresce e leva ao mundo mulheres potentes, mulheres pretas, relevantes, que engajam outras mulheres a ocupar esse espaço do samba, a ter lugar de legitimidade, lugar de fala.” – disse o presidente, destacando também a importância de tais personagens, que abriram espaço para terem seu espaço reconhecido e valorizado.

A produtora Beatriz Costa, também entrevistada, falou sobre a influência de Dona Ivone Lara para outras sambistas. – “Dona Ivone para mim é uma referência, tanto enquanto cantora, mas como mulher que em tempos difíceis se colocou, se posicionou e isso é muito lindo. Então acho que eu carrego essa ancestralidade comigo no meu caminhar.” 

Mas ainda hoje, as mulheres enfrentam muitos desafios para participar do universo do samba. Pelo menos é a opinião da cantora Amanda Amado, entrevistada no podcast Café com Pimenta, da Super Rádio Tupi, apresentado pela jornalista Márcia Pinho. 

“E é isso, a Alcione já fez o que podia fazer, sabe, pelas mulheres, pelo nome do samba. A Alcione já fez tudo isso, né? A gente está falando agora, da atualidade, mulheres novas, que têm um espaço.” – afirmou Amanda para Márcia, defendendo que é preciso que uma nova geração de mulheres assuma posições de destaque. 

A data, que homenageia além de Dona Ivone Lara grandes nomes como Clementina de Jesus, Alcione e Beth Carvalho, também serve como um momento de visibilidade para mulheres que hoje conquistam posições no samba.

Exemplos recentes são a carnavalesca Annik Salmão, da Unidos de Padre Miguel, a única da Marquês de Sapucaí; da mestra de bateria Laísa do Arranco, a primeira a comandar as baterias; Jéssica Martins, intérprete da Beja Flor e a única que puxa o canto de uma escola no Grupo Especial. 

Para celebrar o dia de hoje, o Movimento das Mulheres Sambistas realiza no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira a celebração do oitavo dia da mulher sambista, com uma grande roda de samba coletiva formada por cerca de 200 mulheres. 

O evento começa às 5 da tarde, na Praça Tiradentes e tem entrada gratuita.