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A cidade desenhada em 1943 que hoje lidera o ranking de melhor cidade do Brasil para viver
A cidade planejada em 1943 que hoje lidera o ranking de melhor do Brasil para viver.
No noroeste do Paraná, Maringá tem copas de árvores que se encontram sobre as avenidas e escondem o asfalto. A cidade nasceu planejada em uma prancheta de São Paulo e, quase oito décadas depois, ocupa o primeiro lugar entre as 100 maiores cidades brasileiras em qualidade de vida, sendo frequentemente citada como a melhor cidade do Brasil para viver.
A canção que virou cidade e o urbanista que nunca a visitou
Em 1931, o compositor mineiro Joubert de Carvalho escreveu a canção “Maringá”, sobre uma retirante chamada Maria do Ingá. A música virou sucesso nacional e, na década seguinte, os operários da Companhia de Terras Norte do Paraná cantavam o refrão enquanto abriam estradas na mata.
A companhia contratou o urbanista paulistano Jorge de Macedo Vieira em 1943 para projetar a nova cidade. Ele nunca pisou no local. Trabalhou a partir de fotos aéreas e mapas topográficos, aplicando o conceito de cidade-jardim criado pelo britânico Ebenezer Howard. A fundação oficial aconteceu em 10 de maio de 1947. O apelido de Cidade Canção foi oficializado pela Lei Municipal 5.945/2002.

Por que Maringá lidera rankings nacionais há quase uma década?
Em 2024, a cidade conquistou o primeiro lugar no Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM) da consultoria Macroplan, com nota 0,765 entre as 100 maiores cidades brasileiras. Foi a quarta vez no topo após liderar em 2017, 2018 e 2020. O estudo avalia educação, saúde, segurança e saneamento.
No mesmo ano, o Instituto Trata Brasil colocou Maringá em primeiro lugar no Ranking do Saneamento com nota máxima nos oito indicadores: 99,9% de cobertura de água e esgoto, com 100% do esgoto coletado sendo tratado. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é de 0,808, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a escolarização entre crianças de 6 a 14 anos chega a 99,3%.
O vídeo do canal Coisas do Mundo destaca como a cidade concilia um forte desenvolvimento econômico com uma qualidade de vida elevada, sendo frequentemente eleita uma das melhores cidades para se viver no país.
400 mil árvores e o selo da ONU
O projeto original reservou três áreas de mata nativa dentro do perímetro urbano e exigiu canteiros centrais em todas as grandes avenidas. Hoje, a cidade mantém cerca de 400 mil árvores apenas nos espaços públicos, e 98,6% das vias são arborizadas.
Em 2022, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO-ONU) e a Fundação Arbor Day concederam a Maringá o selo Tree City of the World. O reconhecimento internacional confirmou o que os moradores já sabiam: a relação da cidade com a arborização é parte do cotidiano urbano.

Onde o maringaense passa o fim de semana?
Os parques urbanos ficam a menos de 15 minutos de qualquer bairro, e a rotina de lazer mistura natureza, cultura e gastronomia. A cidade é dividida em zonas numeradas que formam um anel em torno do centro, herança direta do projeto original.
- Parque do Ingá: 47,3 hectares de Mata Atlântica nativa no coração urbano, com lago artificial, pedalinhos, pista de caminhada e uma Maria Fumaça do século XIX.
- Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória: cone de 124 metros, considerada uma das igrejas mais altas da América Latina e cartão-postal da cidade.
- Parque do Japão: complexo cultural fruto do acordo de irmandade com a cidade japonesa de Kakogawa firmado em 1973, com jardins, torii e casas tradicionais.
- Bosque das Grevíleas: área menor e mais silenciosa, com trilhas sombreadas e bancos entre as árvores, destino de quem busca tranquilidade próxima ao centro.
- Mercadão de Maringá: espaço gastronômico que reúne boxes de frutas, peixes, queijos coloniais e o famoso doguinho, versão local do cachorro-quente.
A mesa da Cidade Canção
A cozinha maringaense reflete as várias ondas migratórias que construíram a cidade: nordestinos, japoneses, italianos e paulistas. A gastronomia vai do churrasco clássico ao sushi de bairro, com destaque para pratos da tradição agrícola paranaense.
- Doguinho maringaense: versão local do cachorro-quente com molho de carne moída, queijo ralado, batata palha e molhos variados, vendido em carrinhos espalhados pela cidade.
- Barreado: cozido paranaense de carne bovina preparado por horas em panela de barro, servido com farinha, banana e arroz nos restaurantes rurais da região.
- Culinária japonesa: presença forte nas cantinas da Zona 5 e arredores do Parque do Japão, com sushi, yakisoba e doces tradicionais vendidos por descendentes.

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O clima favorece a vida ao ar livre
O verão é quente e chuvoso, ideal para os parques pela manhã. O inverno é seco e ensolarado, perfeito para ciclismo e caminhadas longas pelas ruas arborizadas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade que nasceu de uma canção?
Maringá fica a 425 km de Curitiba pela BR-376 e a 647 km de São Paulo. O Aeroporto Regional de Maringá Silvio Name Júnior opera voos diários para as principais capitais, e ônibus regulares saem de Curitiba, Londrina e da capital paulista.
Caminhe sob os túneis verdes de Maringá
Maringá entrega no cotidiano o que muitas cidades prometem em discurso: ruas arborizadas, parques acessíveis a pé e indicadores sociais entre os melhores do país. O planejamento de 1943 sobreviveu a oito décadas de crescimento e ainda define o ritmo urbano.
Você precisa conhecer Maringá e entender como uma cidade que nasceu de uma canção virou a melhor do Brasil para viver segundo quem estuda qualidade de vida.