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A única capital brasileira com o título de “Cidade Criativa da Gastronomia” encanta com sabor e o maior mercado da América Latina
Um lugar onde beleza, cheiro e sabor deixam marcas inesquecíveis.
O cheiro de tucupi fervido e de peixe fresco recebe quem chega ao Ver-o-Peso, em Belém. Desde 2015, a capital paraense carrega um título mundial de Cidade Criativa da Gastronomia que nenhuma outra do Brasil divide com ela.
A cidade que virou referência mundial em cozinha
Em dezembro de 2015, Belém recebeu da UNESCO o selo de Cidade Criativa da Gastronomia. O reconhecimento veio pela originalidade da culinária local, que mistura raízes indígenas, africanas e portuguesas em pratos que só existem às margens da Baía do Guajará.
A capital paraense foi a primeira e segue como a única cidade brasileira a manter esse título dentro da rede. O selo é renovado a cada quatro anos e exige apresentação de relatórios com projetos gastronômicos, educacionais e de economia criativa.

O maior mercado a céu aberto da América Latina
Considerado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) a maior feira livre da América Latina, o Ver-o-Peso ocupa um complexo de mais de 25 mil metros quadrados na beira da baía. O conjunto foi tombado em 1977 e remonta ao século XVII, quando funcionava como posto de arrecadação da Coroa Portuguesa.
O Mercado de Ferro, inaugurado em 1901, teve sua estrutura trazida da Europa e guarda o traçado art nouveau da belle époque. Quem chega cedo vê canoas descarregando açaí fresco, camarão, ervas e raízes amazônicas em um ritmo que pouco mudou em quatro séculos.
O vídeo a seguir foi produzido pelo canal Coisas do Mundo, uma autoridade no nicho de geografia e curiosidades urbanas com mais de 240 mil inscritos. Com cerca de 174 mil visualizações, o conteúdo oferece uma análise detalhada sobre a infraestrutura e a relevância de Belém.
O que comer na capital da cozinha amazônica?
A culinária paraense é feita de ingredientes que parte do Brasil nunca viu de perto. Entre os pratos obrigatórios estão:
- Pato no tucupi: pato assado mergulhado no caldo amarelo extraído da mandioca brava, servido com jambu, a erva que adormece a língua.
- Maniçoba: a chamada feijoada paraense, feita com folhas de maniva cozidas por até sete dias para perder o veneno natural.
- Tacacá: caldo quente de tucupi com goma, camarão seco e jambu, vendido em tigelas de cuia no fim da tarde.
- Açaí com peixe frito: o açaí puro e grosso como acompanhamento salgado, do jeito que o paraense come em casa.
- Filhote e pirarucu: peixes amazônicos grelhados ou em caldeirada, com farinha d’água para acompanhar.

Onde ver o pôr do sol mais famoso da Amazônia
A Estação das Docas é o endereço mais procurado no fim de tarde. O antigo porto de Belém foi reformado e virou um complexo gastronômico e cultural à beira da baía, com três armazéns restaurados que abrigam restaurantes, bares e cafeterias.
Do calçadão se vê o sol descer sobre a água em tons de laranja e roxo, com barcos passando no fundo. O complexo funciona de domingo a quinta das 10h à meia-noite, segundo a Agência Pará, e às sextas e sábados vai até 1h.
A ilha que produz o açaí que o país inteiro come
A 15 minutos de barco do centro, a Ilha do Combu é uma reserva ambiental coberta por floresta e cortada por igarapés. Boa parte do açaí consumido no Pará sai dali, colhido diariamente por famílias ribeirinhas que vivem em palafitas.
A ilha virou um destino gastronômico próprio, com restaurantes sobre a água que servem peixe fresco, camarão e açaí direto do pé. A travessia sai do Terminal Hidroviário Ruy Barata, na Praça Princesa Isabel, com barcos de hora em hora.
Os parques que trazem a Amazônia para dentro da capital
O Parque Zoobotânico Mangal das Garças ocupa 40 mil metros quadrados no centro histórico, com borboletário, viveiro de aves, farol com mirante e um memorial sobre a navegação amazônica. A entrada no parque é gratuita.
Mais afastado, o Parque Estadual do Utinga protege nascentes e matas dentro do perímetro urbano. Juntos, os dois espaços mostram por que Belém é chamada de cidade das mangueiras, com árvores centenárias sombreando avenidas inteiras.
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Quando ir à cidade das mangueiras?
O clima equatorial divide o ano em duas metades: o inverno amazônico, mais chuvoso, e o verão, mais seco. As chuvas costumam cair no fim da tarde e passam rápido.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Belém do Pará?
A cidade é servida pelo Aeroporto Internacional de Belém, com voos diretos de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Fortaleza. Do aeroporto ao centro são cerca de 12 km, trajeto feito por táxi, aplicativo ou ônibus urbano em 30 a 40 minutos.
A capital que o Brasil come sem saber
Belém guarda em um só lugar o maior mercado a céu aberto da América Latina, a maior procissão católica do país e uma cozinha que a UNESCO reconheceu como uma das mais originais do mundo. Poucos destinos brasileiros entregam tanto em tão pouco espaço.
Você precisa conhecer Belém e provar o tacacá no fim da tarde para entender por que a capital paraense virou referência de gastronomia fora do Brasil antes de ser dentro.