Cortisol alto ou baixo? Entenda a relação do hormônio com o estresse - Super Rádio Tupi
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Saúde

Cortisol alto ou baixo? Entenda a relação do hormônio com o estresse

Produzido pelas glândulas suprarrenais, ele desempenha um papel central na autorregulação do organismo

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O cortisol é essencial para diversas funções fisiológicas, como metabolismo energético, imunidade, humor e função cognitiva (Imagem: Stranger Man | Shutterstock)

Segundo relatório publicado pelo Google Trends no dia 1º de abril, o interesse relacionado ao hormônio cortisol, popularmente conhecido como “hormônio do estresse”, praticamente dobrou desde o início do ano, atingindo o maior número de pesquisas da história da plataforma pelo terceiro mês consecutivo.

O serviço da empresa de tecnologia norte-americana, que revela as tendências mais pesquisadas no buscador, indicou que os termos “cortisol alto” e “cortisol baixo” nunca foram tão pesquisados quanto agora, o que demonstra um interesse inédito da população em pesquisas sobre testagens e medição do hormônio.

“O cortisol não é o vilão que todos imaginam ser. Ele é um hormônio fisiologicamente produzido pelas glândulas suprarrenais, ou adrenais, que desempenha um papel central na autorregulação do organismo. Da mediação da resposta inflamatória à adaptação a situações de estresse, o cortisol torna-se indispensável para o funcionamento adequado do corpo humano”, explica a Dra. Bruna Pedrosa, endocrinologista e metabologista da Casa de Saúde São José.

Atuação do cortisol no organismo

A liberação do hormônio obedece ao ciclo circadiano (responsável pela alternância entre o tempo acordado e o tempo dormindo), portanto, o cortisol é fundamental para que possamos acordar e dormir com qualidade. Em pessoas saudáveis e com o ritmo circadiano regulado, os níveis de cortisol são mais altos pela manhã, auxiliando no despertar, diminuem ao longo do dia e atingem níveis mais baixos à noite, favorecendo o sono.

“O termo ‘hormônio do estresse’, tão usado para se falar sobre o cortisol, é originado justamente porque ele participa da resposta de ‘luta ou fuga’, preparando o organismo para reagir rapidamente a desafios. O que é uma resposta natural, esperada e saudável quando ocorre de forma pontual. O problema não está na sua existência, mas no desequilíbrio e cronicidade dessa resposta, fatos relacionados principalmente ao estilo de vida inadequado que grande parte da população tem vivenciado”, completa a médica.

Hábitos que tornam o cortisol alto

O cortisol alto não é o responsável direto pelo alto nível de estresse de uma pessoa, mas, sim, uma consequência da série de hábitos negativos da contemporaneidade. Uso de telas, sono desregulado, má alimentação, sedentarismo, trabalho e estresse constante são hábitos que alteram os níveis de cortisol.

Consequentemente, essas alterações hormonais vão se manifestar como cansaço ao longo dia, alterações no humor, dificuldade de concentração, aumento de gordura abdominal, piora do controle glicêmico e, até mesmo, aumento do risco cardiovascular.

Segundo a endocrinologista e metabologista, no entanto, isso pode não estar relacionado somente ao cortisol. “É importante lembrar que, como esses sintomas são inespecíficos e podem estar relacionados a diversas outras causas, não devem ser interpretados isoladamente como ‘cortisol alto’. Além disso, o corpo possui mecanismos de adaptação: nem toda pessoa exposta ao estresse terá, necessariamente, uma doença relacionada ao cortisol”, afirma.

Jovem com cabelo preto longo, usando camisa verde de botões sentada em cadeira para fazer exame de sangue e ao lado a enfermeira com o cabelo curto e usando uniforme cinza preparando o braço da paciente para a coleta
A dosagem de cortisol é indicada apenas em situações clínicas específicas, geralmente relacionadas à suspeita de doenças raras (Imagem: RossHelen | Shutterstock)

Quando a dosagem de cortisol é indicada

Segundo o Google Trends, a pesquisa online “teste de cortisol perto de mim” nunca foi tão buscada quanto no momento atual. De acordo com a Endocrine Society, entretanto, os médicos são desaconselhados a dosarem o cortisol, exceto em contextos clínicos bem definidos de suspeitas de doenças (como a Síndrome de Cushing ou Insuficiência Adrenal, consideradas raras).

A Dra. Bruna Pedrosa explica que a dosagem de cortisol, quando feita sem indicação clínica específica, tende a gerar mais ruído do que benefícios. Em pessoas sem suspeita de doenças como a Síndrome de Cushing, o exame raramente altera a conduta. A especialista também destaca que não há evidências científicas que sustentem o uso de tratamentos medicamentosos para reduzir o cortisol em indivíduos saudáveis.

“Além disso, outro problema da dosagem desse hormônio sem indicação específica é a sua grande variabilidade fisiológica: por seguir um ritmo circadiano e ser influenciado por situações do dia a dia, como estresse, privação de sono, exercício físico e doenças intercorrentes, o cortisol como valor isolado tem baixa confiabilidade interpretativa”, comenta a médica.

Hábitos que ajudam a equilibrar o cortisol

O recomendado é buscar uma rotina de sono regular, com atividade física contínua, alimentação equilibrada, momentos de pausa e recuperação, além do manejo do estresse. “Criar um ritual de transição entre trabalho e descanso; fazer uma caminhada leve ao ar livre; reduzir o uso de telas no período da noite; praticar técnicas de respiração ou meditação; investir em atividades prazerosas e tranquilas; manter contato social leve e positivo. Essas práticas ajudam a sinalizar ao corpo que o momento de alerta terminou, favorecendo a recuperação”, conclui a médica da Casa de Saúde São José.

Por Bernardo Bruno