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A “Machu Picchu Brasileira” é uma vila quase fantasma que perdeu 95% da população após a queda do garimpo
De auge do garimpo a cidade quase abandonada, hoje é destino de turismo.
No alto da Serra do Sincorá, a Vila de Igatu foi apelidada de “Machu Picchu Brasileira” e guarda ruínas de casas erguidas com pedras encaixadas, sem argamassa. No auge do ciclo do diamante, o povoado chegou a reunir mais de 9 mil habitantes. Hoje tem cerca de 400.
A origem da cidade de pedra no coração da Chapada
A história de Igatu começa por volta de 1844, quando garimpeiros vindos de Mucugê e de Minas Gerais chegaram à região atrás de diamantes. O povoado cresceu rápido, ganhou cinema, loja de produtos importados e até uma usina de energia elétrica antes do fim do século XIX.
Com o declínio do garimpo, a população encolheu e grande parte do casario foi abandonada. O conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2000, abrangendo cerca de 200 imóveis do núcleo original.

Por que chamam Igatu de Machu Picchu Brasileira?
O apelido nasce da semelhança visual com o sítio peruano. As construções da vila foram erguidas com blocos de arenito encaixados manualmente pelos próprios garimpeiros, formando paredes que se integram às encostas da serra.
Nas ruas irregulares do Bairro Luís dos Santos, paredes de pedra do século XIX seguem de pé entre a vegetação da caatinga. O nome Igatu vem do tupi e significa rio bom, referência ao Rio Coisa Boa que corta o distrito.
Igatu, na Chapada Diamantina, é uma vila de pedra que preserva as marcas do auge do garimpo de diamantes na Bahia. O documentário do canal Rolê Família mostra como esse distrito de Andaraí, tombado pelo IPHAN, se transformou em um destino turístico fascinante:
O que visitar na vila e nos arredores?
Os atrativos se espalham entre ruínas, cachoeiras e trilhas dos antigos garimpeiros. Quase tudo fica a poucos minutos do pequeno centro.
- Ruínas do Bairro Luís dos Santos: museu a céu aberto entre paredes de pedra do século XIX, com acesso livre.
- Galeria Arte e Memória: espaço criado pelo artista plástico Marcos Zacariades, com esculturas e utensílios de garimpo em meio às ruínas.
- Gruna do Brejo: antiga mina escavada à mão, iluminada por velas em visita guiada pelo interior fresco.
- Rampa do Caim: trilha de 13 km com vista panorâmica do Vale do Pati e do Rio Paraguaçu, nível moderado a difícil.
- Cachoeira dos Macacos: queda próxima à vila, ideal para banho após a caminhada pelas ruínas.
- Rio Coisa Boa: poços naturais de água cristalina entre pedras, a poucos minutos do centro.
Qual é a comida típica da vila dos garimpeiros?
A culinária de Igatu mantém pratos criados nos séculos 18 e 19 para alimentar os trabalhadores das minas. A mesa é simples, reforçada e com muito coentro.
- Godó de Banana: prato mais emblemático da Chapada, feito com banana-da-terra verde, carne de sol e coentro.
- Palma refogada: cacto típico do sertão baiano, servido como acompanhamento.
- Cachaças artesanais: produção local envelhecida em madeiras da região, vendidas em pequenas casas da vila.
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O clima da serra favorece passeios o ano inteiro
A vila está a cerca de 750 m de altitude, o que garante noites frescas mesmo no verão. Os meses mais secos, entre maio e setembro, são os preferidos para trilhas longas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Andaraí. Condições podem variar.

Como chegar à Cidade de Pedras
Igatu fica a 18 km de Andaraí, 37 km de Mucugê e 112 km de Lençóis, a base turística mais comum da Chapada. O acesso se faz pela BA-142, com os últimos quilômetros em estrada de pedra e terra, conforme orienta o Guia Chapada Diamantina. Não há transporte coletivo regular, a opção é carro alugado ou transfer de agência.
A vila onde o tempo parou
Igatu é daqueles lugares em que cada esquina guarda uma história de diamantes, suor e silêncio. A caminhada entre as paredes de pedra, a vista do Vale do Pati e o cheiro do godó no fim da tarde criam uma experiência que nenhum cartão-postal traduz.
Você precisa subir a serra e conhecer Igatu, a vila baiana onde o garimpo virou paisagem e o silêncio virou atração.