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Uma cidade no sertão onde o mapa mostra “seca” que produz 60% das frutas do Brasil e tem um selo de vinhos único no mundo

Onde o mapa aponta seca, essa cidade transformou o cenário com frutas em abundância e vinhos exclusivos.

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Uma cidade no sertão onde o mapa mostra "seca" que produz 60% das frutas do Brasil e tem um selo de vinhos único no mundo
As vinícolas estão distribuídas entre municípios vizinhos. / Imagem ilustrativa

Petrolina, no coração do semiárido, mostra um Brasil improvável: vinhedos verdes às margens do Rio São Francisco, em pleno domínio da caatinga. A cerca de 712 km de Recife e conectada por ponte a Juazeiro, a cidade se consolidou como base do único roteiro de enoturismo tropical do país.

Como a caatinga se transformou em região vinícola

A virada começou nos anos 1960, com projetos de irrigação que aproveitaram as águas do São Francisco para tornar produtivas áreas antes áridas. Já na década de 1980, surgiram as primeiras vinícolas comerciais. O clima tropical semiárido — com sol intenso e chuvas concentradas entre novembro e abril — permite algo raro no mundo do vinho: colheitas contínuas ao longo do ano.

Em 2022, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu ao Vale do São Francisco a Indicação de Procedência para vinhos finos e espumantes, reconhecimento apoiado por pesquisas da Embrapa Uva e Vinho. Foi a primeira indicação geográfica do mundo voltada a vinhos tropicais, um selo que confirma o que já se vê na prática: enquanto regiões tradicionais produzem uma safra anual, o Vale entrega duas ou até três por ano.

A cidade próspera a 712 km de Recife que se tornou o polo de riqueza mais surpreendente do Sertão
Desenvolvimento acelerado fez o município sair do anonimato. – Créditos: depositphotos.com / hecke06

Quais vinícolas visitar a partir de Petrolina?

As propriedades estão distribuídas entre municípios vizinhos. Petrolina funciona como base, e os passeios incluem transporte, degustação e almoço regional. Algumas experiências combinam catamarã no São Francisco com visita à adega.

  • Vinícola Terranova (Grupo Miolo): em Casa Nova (BA), oferece o passeio Vapor do Vinho, com navegação pelo Lago de Sobradinho, banho, almoço e degustação de espumantes a bordo.
  • Vinícola Rio Sol (Global Wines): em Lagoa Grande (PE), combina visita ao campo com colheita de uvas, tour pela adega e passeio de catamarã com degustação à beira do rio.
  • Adega Bianchetti: em Lagoa Grande (PE), produção orgânica com destaque para as uvas Barbera e Tempranillo. Visitas sob agendamento direto com a enóloga.
  • Vinícola Garziera/Terroir do São Francisco: em Lagoa Grande (PE), especializada em Cabernet Sauvignon de vinhas velhas.
  • Botticelli: em Santa Maria da Boa Vista (PE), com 40 hectares de vinhedos e espumantes moscatéis.

O vídeo é do canal Melhores Cidades para Morar, que conta com mais de 34 mil inscritos, e apresenta a força do agronegócio, as ilhas do Rio São Francisco e a excelente infraestrutura urbana da cidade:

O que fazer em Petrolina além das vinícolas?

A cidade tem atrações próprias que rendem dois a três dias de roteiro. O Rio São Francisco é presença constante, seja na orla, nos passeios de barco ou no pôr do sol que tinge de laranja as águas do Velho Chico.

  • Orla de Petrolina: calçadão às margens do São Francisco com vista para Juazeiro e a Ponte Presidente Dutra (800 m de extensão, inaugurada em 1954). Bares e restaurantes funcionam até tarde.
  • Ilha do Fogo: ilha fluvial no meio da ponte, acessível a pé, com uma das vistas mais bonitas do pôr do sol sobre o rio.
  • Museu do Sertão: acervo com mais de 3 mil objetos que contam o cotidiano sertanejo.
  • Oficina do Artesão Mestre Quincas: cooperativa com 25 artesãos que produzem carrancas em madeira, cerâmica, bordados e rendas.
  • Catedral Sagrado Coração de Jesus: arquitetura neogótica e um dos cartões-postais mais fotografados da cidade.

O que comer no sertão do São Francisco?

Petrolina tem identidade gastronômica forte. O Bodódromo, centro gastronômico ao ar livre na Avenida São Francisco, reúne oito restaurantes e 23 quiosques especializados em carne de bode e carneiro, acompanhados de baião de dois e macaxeira. À noite, forró ao vivo anima o ambiente.

Na orla, os restaurantes servem peixes do rio, como piau e tilápia, além de moquecas e camarões. O Balneário de Pedrinhas tem 13 restaurantes à beira do São Francisco. Para fechar, a mousse de umbu é sobremesa obrigatória. A região também produz 62% da uva de mesa e 61% da manga consumidas no país, e essas frutas aparecem em sucos, doces e acompanhamentos por toda parte.

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No sertão nordestino, uma cidade desafia o semiárido com vinhos premiados e exportação de frutas
Crescimento, qualidade de vida e novos investimentos colocaram o local em evidência. – Créditos: depositphotos.com / hecke06

Quando ir a Petrolina e qual o melhor período?

O clima semiárido garante sol quase o ano inteiro. As chuvas se concentram entre novembro e abril, mas costumam ser rápidas. O São João, em junho, é a festa mais concorrida.

☀️ Verão
Dezembro a Fevereiro
24-35 °C
Temperatura
Calor intenso ideal para visitar as vinícolas da região e relaxar em refrescantes passeios de barco pelo Velho Chico.
🌦️ Chuva Média
🍇 Outono
Março a Maio
23-33 °C
Temperatura
Época mágica da colheita de uva. Mesmo com chuvas altas, é o período perfeito para degustações premium.
🌧️ Chuva Alta
🌽 Inverno
Junho a Agosto
20-32 °C
Temperatura
O tempo seco favorece o enoturismo e as grandes festas de São João, que agitam todo o vale regional.
☀️ Chuva Baixa
🌅 Primavera
Setembro a Novembro
23-36 °C
Temperatura
Céu limpo e calor. Aproveite para curtir a orla, fazer trilhas e contemplar o melhor pôr do sol do rio.
☀️ Chuva Baixa

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital do vinho tropical?

O Aeroporto Senador Nilo Coelho recebe voos diretos de São Paulo, Recife e Salvador. Por estrada, Petrolina fica a 712 km do Recife pela BR-232 e a 500 km de Salvador pela BR-324/BR-407. A travessia para Juazeiro (BA) é feita pela Ponte Presidente Dutra em poucos minutos.

Brinde ao sertão que surpreende

Petrolina inverte expectativas. Onde o mapa mostra seca, o São Francisco criou vinhedos, pomares e uma cena gastronômica que já coleciona selo de procedência e espumantes premiados. A cidade prova que o sertão vai além do que se imagina.

Você precisa cruzar a ponte, brindar com um espumante gelado na margem do Velho Chico e sentir o gosto de uma região que transformou sol e água em vinho.