Ladrões roubaram um artefato egípcio lendário. Mas não perceberam a assustadora inscrição de 4.000 anos que estava dentro dele - Super Rádio Tupi
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Ladrões roubaram um artefato egípcio lendário. Mas não perceberam a assustadora inscrição de 4.000 anos que estava dentro dele

Roubo em Saqqara expõe falha grave na proteção do Egito Antigo

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Ladrões roubaram um artefato egípcio lendário. Mas não perceberam a assustadora inscrição de 4.000 anos que estava dentro dele
O artefato possui mais de 4 mil anos

Entre as areias do deserto egípcio, Saqqara se destaca como uma das necrópoles mais antigas do país, e o roubo, em 2025, de um grande relevo de calcário do túmulo do vizir real Khentika reacendeu debates sobre segurança em sítios arqueológicos, tráfico de antiguidades e proteção do patrimônio, pois a peça, ligada ao reinado do faraó Teti, representa um documento raro para a compreensão da organização política, religiosa e econômica do Egito antigo, além de evidenciar fragilidades na vigilância e na cooperação internacional para recuperar bens culturais saqueados.

Como ocorreu o roubo do relevo de Khentika na necrópole de Saqqara

A peça furtada pertencia à mastaba de Khentika, vizir do faraó Teti, datada entre 2700 a.C. e 2200 a.C., no Império Antigo, e estava instalada na parede sul da Sala I, interpretada como câmara de entrada do túmulo, cobrindo um grande monólito e bloqueando uma passagem rumo à Sala V, o que indica planejamento arquitetônico complexo e função estrutural do relevo dentro da tumba.

Após o desaparecimento, o Ministério de Antiguidades do Egito encaminhou o caso à promotoria, iniciou investigações e adotou medidas legais para reforçar o compromisso de proteger o patrimônio arqueológico egípcio contra danos e práticas ilegais, utilizando também comunicados oficiais como alerta ao mercado de antiguidades e como estímulo à cooperação com autoridades estrangeiras para impedir a circulação clandestina da obra.

Ladrões roubaram um artefato egípcio lendário. Mas não perceberam a assustadora inscrição de 4.000 anos que estava dentro dele
Saqqara volta ao centro do debate sobre patrimônio saqueado – nomadnes//Getty Images

Por que o relevo das três estações do Nilo é considerado um documento iconográfico raro

O relevo mostrava Khentika em frente a um cavalete, pincel na mão, representando as três estações agrícolas egípcias ligadas ao Nilo, Akhet (cheia), Peret (plantio) e Shemu (colheita), iconografia raríssima em tumbas do período, que associa a administração estatal ao controle dos recursos agrícolas por meio de atendentes com materiais de escrita e instrumentos de medição usados na gestão de terras.

As estações eram cruciais para a vida no vale do Nilo, pois em Akhet as cheias fertilizavam o solo, em Peret preparava-se a terra e realizava-se a semeadura e em Shemu colhiam-se e armazenavam-se os grãos, permitindo que o vizir, ao se vincular ao ciclo agrícola, reafirmasse seu papel administrativo em vida e buscasse garantir, no pós-vida, a continuidade da abundância e da ordem cósmica representada por Maat.

Quem foi o vizir Khentika e qual é a importância histórica de sua mastaba em Saqqara

Khentika ocupou cargos de alta hierarquia, com títulos ligados ao culto da deusa Maat e à supervisão do palácio real, exercendo funções comparáveis às de um primeiro-ministro em questões administrativas, judiciais e econômicas, integrando a elite burocrática que sustentava o poder faraônico e ilustrando a complexidade do Estado no Império Antigo.

A mastaba de Khentika foi identificada na década de 1950 por pesquisadores britânicos, que documentaram cenas de vida cotidiana no Egito antigo em suas paredes, como atividades agrícolas, oferendas e retratos de funcionários, permitindo comparações com a tumba do vizir Mereruka para datar a tumba, identificar oficinas artísticas, reconstruir redes familiares e políticas e aprimorar o entendimento das relações entre vizires, sacerdotes e o rei.

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Saqqara volta ao centro do debate sobre patrimônio saqueado

Quais são os principais impactos do roubo de relevos egípcios para o patrimônio mundial

O desaparecimento de uma peça como o relevo de Khentika afeta não apenas o Egito, mas o patrimônio da humanidade, pois compromete a compreensão de processos históricos que ultrapassam fronteiras nacionais, já que a retirada de relevos de seu contexto original impede o estudo da relação entre as cenas, o espaço arquitetônico e a iluminação, causando perda irreversível de informação arqueológica.

Entre os principais impactos do roubo de relevos egípcios, especialistas destacam:

  • Perda de informações sobre o contexto arqueológico original e sobre a função das cenas nas paredes.
  • Dificuldade em comprovar autenticidade e procedência quando as peças surgem em mercados paralelos.
  • Enfraquecimento da segurança em sítios vulneráveis e estímulo ao tráfico de antiguidades.
  • Possível financiamento de outras atividades ilegais por meio do contrabando de obras de arte.

Como resposta, países e organizações ampliam o uso de tecnologias de monitoramento e registro digital, com bancos de dados fotográficos, sistemas de vigilância e parcerias com casas de leilão para vetar vendas sem procedência comprovada, e em Saqqara o roubo reforçou a necessidade de proteção extra em túmulos menos visitados, enquanto investigações tentam rastrear a peça, aplicar convenções internacionais de restituição e desarticular redes de tráfico de antiguidades.