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Arqueólogos descobrem necrópole antiga com mais de 3.000 sepulturas

Necrópole sob cidade croata expõe riqueza, comércio e rituais do mundo romano

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Arqueólogos descobrem necrópole antiga com mais de 3.000 sepulturas
A cidade romana enterrada sob Zadar está mudando o que sabemos sobre o Império

Entre as descobertas arqueológicas ligadas ao Império Romano, a necrópole oculta sob a atual cidade de Zadar, na Croácia, destaca-se por reunir milhares de sepultamentos usados entre os séculos I e V d.C., permitindo reconstruir práticas funerárias, rotas comerciais, organização urbana e hierarquias sociais da antiga Iader, a mais antiga cidade continuamente habitada do país.

O que é a necrópole romana de Zadar e qual sua importância histórica

A necrópole romana de Zadar é um amplo conjunto de áreas de sepultamento distribuídas ao redor da antiga Iader, ao longo das vias que saíam da cidade, como era típico no mundo romano. Mais de 3.000 túmulos já foram identificados, cobrindo cerca de 500 anos de uso quase contínuo.

Esse intervalo longo transforma o cemitério em um arquivo sobre a vida urbana, reunindo indivíduos de diferentes origens sociais, idades e posses. O volume de achados reforça o papel de Iader como centro regional romano, com destaque para funções comerciais, administrativas e religiosas.

Arqueólogos descobrem necrópole antiga com mais de 3.000 sepulturas
A cidade romana enterrada sob Zadar está mudando o que sabemos sobre o Império – Cavan Images//Getty Images

Como a distribuição da necrópole ajuda a reconstruir a antiga cidade de Iader

Os romanos costumavam instalar cemitérios fora das muralhas, ao longo das estradas de acesso, e Zadar segue esse padrão. O alinhamento das sepulturas permite rastrear o traçado de antigas vias, além de indicar a provável posição de portas, muros e áreas suburbanas hoje ocultas sob a malha urbana.

Escavações sob centros comerciais, igrejas e edifícios de serviços mostram que o entorno de Iader foi em grande parte ocupado por espaços funerários. A incorporação gradual desses setores ao tecido urbano ajuda a entender a transição da Iader romana para a Zadar medieval e moderna.

Quais objetos funerários aparecem na necrópole e o que eles revelam

Os túmulos frequentemente contêm bens de acompanhamento como urnas cerâmicas, ânforas, frascos de vidro, joias metálicas, lâmpadas de óleo, moedas e peças de mesa simples. O estado de conservação desses materiais permite estudar técnicas de produção, escolhas estéticas e acesso a bens de diferentes qualidades.

  • Lâmpadas de óleo simbolizam a iluminação do caminho do falecido após a morte e revelam estilos regionais.
  • Moedas associam-se ao pagamento da travessia ao mundo dos mortos e ajudam na datação dos sepultamentos.
  • Vasilhas e utensílios como pratos, copos e talheres indicam a ideia de continuidade da vida em outro plano.
  • Joias e adornos pessoais apontam posição social, hábitos de consumo e, às vezes, vínculos familiares específicos.

Vidros translúcidos, cerâmicas finas e metais trabalhados sugerem oficinas especializadas e circulação de mercadorias de longa distância. Peças simples revelam o uso de produtos locais mais acessíveis, compondo um quadro variado de consumo entre os habitantes de Iader.

Arqueólogos descobrem necrópole antiga com mais de 3.000 sepulturas
Necrópole sob cidade croata expõe riqueza, comércio e rituais do mundo romano

Como a necrópole de Zadar revela comércio, sociedade e crenças no pós-vida

Muitos objetos não foram produzidos localmente e exibem estilos, marcas de oficina e matérias-primas de várias regiões mediterrâneas. A posição estratégica de Iader no Adriático explica conexões com a Itália central, o norte da África e o Oriente romano, tornando cada túmulo um pequeno registro de rotas marítimas e redes comerciais.

A combinação entre número de sepulturas, diversidade de bens e longa duração de uso revela diferenças nítidas de status, com túmulos ricos em importações contrastando com enterramentos simples. A recorrência de moedas, lâmpadas e utensílios domésticos, em vários níveis de riqueza, mostra uma crença amplamente partilhada na preparação simbólica do morto para uma jornada após a morte, tema ainda aprofundado por pesquisas em andamento em Zadar.