Rio
“Covardia”: família se despede de passageira de carro de aplicativo morta por policial em briga de trânsito
Prima cobra justiça e diz que filhas vão passar primeiro Dia das Mães sem a mãe
O corpo da designer de sobrancelhas Thamires Rodrigues de Souza Peixoto, de 28 anos, é velado na manhã deste sábado (9) no cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, na véspera do Dia das Mães. Ela foi morta com um tiro nas costas na quinta-feira (7), enquanto era passageira de um carro de aplicativo, durante uma briga de trânsito com um policial civil na Taquara, Zona Oeste da cidade.
Thamires deixa o marido e duas filhas, de 4 e 6 anos. A caçula completa 4 anos justamente neste sábado.
“Foi uma covardia”, diz prima no velório
A prima Samara Luane falou à reportagem durante o velório e classificou o crime como covardia. “Ele deveria servir, proteger a gente. A minha prima sempre apoiou os (homens) da lei e hoje ela está sendo morta por um homem da lei”, disse.
Samara contou que Thamires era o pilar que unia a família depois da morte da bisavó e que vivia “a melhor fase da vida”, curtindo as filhas, o marido e as viagens. Ia ao salão de beleza, no momento em que foi baleada, para se arrumar para a festa do Dia das Mães da escola das meninas.
A prima lembrou que as filhas vão passar por uma sequência de “primeiras vezes” sem a mãe: Dia das Mães, aniversário, Natal, Ano Novo, Dia das Crianças. “A Tamires estava presente em tudo. Ela se fazia presente em tudo, absolutamente tudo que você possa imaginar. A gente espera que justiça seja feita e que esse homem fique preso e pague pelo que ele fez”, afirmou. Muito emocionada, a mãe de Thamires recebeu apoio dos parentes. “O que vai ser dos meus netos, meu Deus”, questionou.
Atingida por tiro nas costas
O tiro foi disparado pelo policial civil Frede Uilson Souza de Jesus, na Rua Professor Henrique Costa, na Taquara, durante uma discussão de trânsito com o motorista do carro de aplicativo em que Thamires era passageira. Ela foi atingida nas costas, socorrida pelo próprio motorista para a UPA da Cidade de Deus, mas não resistiu.
Frede Uilson se apresentou na tarde de sexta-feira (8) e teve a prisão formalizada por homicídio qualificado na Delegacia de Homicídios da Capital, na Barra da Tijuca. Em depoimento, alegou que pensou se tratar de um assalto ao ver o carro fazendo uma manobra e atirou. Ele foi encaminhado para o presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio.