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Saúde

Diabetes gestacional: escolhas alimentares equilibradas ajudam no controle da glicemia 

Alimentos variados e naturais ajudam a melhorar a resposta do organismo à insulina, hormônio que sofre alterações fisiológicas ao longo da gestação

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Escolhas nutricionais adequadas contribuem para estabilidade da glicemia durante a gestação (Imagem: fast-stock | Shutterstock)

O diabetes gestacional é uma condição caracterizada pelo aumento dos níveis de glicose no sangue durante a gravidez, geralmente identificado a partir do segundo trimestre. A doença ocorre porque as alterações hormonais próprias da gestação podem reduzir a ação da insulina no organismo, dificultando o controle da glicemia. Embora exija atenção e acompanhamento médico, a condição pode ser controlada com hábitos adequados, especialmente por meio de uma alimentação equilibrada.

“Apesar do diagnóstico frequentemente causar preocupação, o tratamento vai muito além da simples exclusão de alimentos ou da ideia equivocada de ‘fazer dieta’ durante a gestação. Como a gravidez não é um momento para dietas hipocalóricas ou restritivas, porque isso pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento do feto, o foco deve estar na qualidade da alimentação”, explica a nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). 

A alimentação equilibrada é uma das principais aliadas no controle do diabetes gestacional.  “No diabetes gestacional, a dieta deve priorizar alimentos com baixo índice glicêmico, fracionar carboidratos ao longo do dia, evitar picos glicêmicos e manter o ganho de peso adequado. A terapia nutricional é a primeira linha de tratamento”, explica o ginecologista e obstetra Dr. Nélio Veiga Junior, mestre e doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP).

Diagnóstico do diabetes gestacional

De acordo com os critérios atuais, o diagnóstico do diabetes gestacional é feito por meio do teste oral de tolerância à glicose, realizado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Valores de glicemia em jejum iguais ou superiores a 92 mg/dL, glicemia após 1 hora acima de 180 mg/dL ou após 2 horas acima de 153 mg/dL já são suficientes para confirmar o quadro. 

O Dr. Nélio Veiga Junior alerta que a obesidade está fortemente associada ao Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). “Mulheres obesas têm risco duas a quatro vezes maior de desenvolver DMG. Isso se deve à resistência insulínica pré-existente, exacerbada pelas alterações hormonais da gravidez”, comenta.

Alimentos que ajudam no controle da glicemia 

Segundo a Dra. Marcella Garcez, uma alimentação equilibrada, variada e o mais natural possível contribui para reduzir picos glicêmicos e melhora a resposta do organismo à insulina, hormônio que sofre alterações fisiológicas ao longo da gestação. 

“O que orientamos é organizar melhor o prato, fracionar as refeições ao longo do dia e reduzir o consumo de ultraprocessados, açúcares simples e farinhas refinadas, sem que isso signifique comer menos, mas comer melhor”, reforça a nutróloga.

O primeiro ponto de atenção é a inclusão de fibras na dieta, orienta a Dra. Marcella Garcez. “As fibras retardam a absorção da glicose e ajudam a manter a glicemia mais estável ao longo do dia”, explica. Segundo ela, é importante incluir na rotina alimentar:

  • Verduras e legumes variados: brócolis, abobrinha, cenoura, folhas verdes; 
  • Leguminosas: feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, ervilha; 
  • Sementes: aveia, cevada, chia e linhaça; 
  • Frutas inteiras, com casca quando possível: maçã, pera, ameixa e frutas vermelhas.

“É fundamental pontuar que, além das fibras, as frutas oferecem uma série de fitoquímicos (compostos bioativos naturais responsáveis por cores, aromas e sabores), que exercem efeitos metabólicos relevantes, especialmente no controle da glicemia, algo fundamental no diabetes gestacional”, afirma a médica.

Ainda conforme a Dra. Marcella Garcez, compostos bioativos como flavonoides, antocianinas e catequinas podem contribuir para desacelerar a digestão e a absorção dos carboidratos no intestino, auxiliando no controle dos níveis de glicose no sangue após as refeições e evitando picos glicêmicos.

“Além disso, os fitoquímicos presentes nas frutas têm ação antioxidante e anti-inflamatória, o que contribui para melhorar a sensibilidade à insulina, especialmente em um contexto de resistência insulínica induzida pelos hormônios da gravidez”, explica. 

Portanto, é mito que a fruta é vilã. “Quando consumidas inteiras, com fibras e fitoquímicos preservados, as frutas têm um comportamento metabólico muito diferente dos açúcares isolados ou de sucos. O conjunto de fibras e fitoquímicos ajuda a modular a resposta glicêmica, especialmente quando a fruta é combinada com proteínas ou gorduras”, destaca.

Alimentos ricos em proteína como carne, ovos, peixe, lentilha em cima de bancada de pedra branca com uma lousa escrito proteína em inglês
Proteínas e gorduras boas contribuem para uma resposta glicêmica mais equilibrada (Imagem: New Africa | Shutterstock)

Proteínas e gorduras boas na alimentação

Outro macronutriente importante para reduzir os picos glicêmicos é a proteína. “Ela reduz a velocidade de digestão dos carboidratos e aumenta a saciedade, sem impacto negativo para o feto, desde que sejam consumidas sem exagero. Ovos, carnes magras, frango e peixes bem cozidos, além de leite, iogurte natural e queijos podem ajudar”, explica a Dra. Marcella Garcez.

As gorduras saudáveis também devem estar presentes na dieta durante o diabetes gestacional. “Já as boas fontes de gordura, como azeite de oliva, abacate, oleaginosas (castanhas, nozes e amêndoas) e sementes (chia, linhaça e gergelim), retardam o esvaziamento gástrico e contribuem para uma resposta glicêmica mais estável”, completa.

Controle da doença reduz riscos para mãe e bebê 

Do ponto de vista obstétrico, o controle adequado do diabetes gestacional e da obesidade é fundamental para prevenir complicações como macrossomia fetal, parto prematuro, sofrimento fetal e maior risco de cesárea.

“A exposição intrauterina a um ambiente obesogênico também está relacionada ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica na vida adulta da criança, caracterizando o que se chama de ‘programação fetal’”, alerta o Dr. Nélio Veiga Junior, que acrescenta: “Uma alimentação bem orientada não só contribui para uma gravidez mais segura, como também impacta diretamente a saúde do bebê a curto e longo prazo”. 

Por Maria Paula Amoroso