Saúde
Metabolismo na menopausa: 3 chás que ajudam ativar o gasto energético
Veja opções com compostos bioativos capazes de auxiliar, de forma complementar, o funcionamento do organismo nessa fase
Ondas de calor, alterações de humor e noites maldormidas costumam ser os sintomas mais lembrados da menopausa. Mas há um efeito menos visível — e frequentemente angustiante — que acompanha essa fase: a desaceleração metabólica. Durante a transição para essa fase da vida, ocorre redução progressiva da taxa metabólica basal, fenômeno associado principalmente à queda dos níveis de estrogênio e à perda de massa muscular.
Na menopausa, por exemplo, a mulher tem mais chances de desenvolver sarcopenia — perda progressiva e acelerada de massa, força e função muscular — devido a alterações hormonais, principalmente à diminuição do estrogênio. Como o músculo é metabolicamente mais ativo que o tecido adiposo, essa redução impacta diretamente o gasto calórico em repouso.
Além disso, dados do Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN) apontam que a menopausa está associada a aumento significativo de gordura visceral, independentemente do envelhecimento cronológico. Esse tipo de gordura está relacionado a maior risco cardiovascular e alterações na sensibilidade à insulina, tornando o controle metabólico ainda mais estratégico nessa fase.
Como manter o metabolismo mais ativo na menopausa?
Para a nutricionista Mariane Alves, é fundamental entender que o ganho de peso na menopausa não é apenas consequência da idade. “Existe uma mudança hormonal importante que altera a forma como o corpo distribui gordura e utiliza energia. Ao mesmo tempo, há uma perda natural de massa muscular que reduz o metabolismo basal. Não é falta de disciplina, é fisiologia”, explica.
De acordo com a especialista, a base para manter o metabolismo mais ativo inclui ingestão adequada de proteínas e prática regular de treino de força. “A preservação muscular é o principal pilar metabólico nessa fase. Sem isso, qualquer estratégia isolada terá efeito limitado”, afirma.

Chás que ajudam a estimular o metabolismo na menopausa
Embora não substituam hábitos fundamentais como alimentação equilibrada, atividade física regular e sono de qualidade, algumas bebidas podem contribuir para o equilíbrio metabólico durante a menopausa. Determinados chás possuem compostos bioativos capazes de auxiliar, de forma complementar, o funcionamento do organismo nessa fase. Veja abaixo três opções:
1. Chá verde
Rico em catequinas, especialmente a epigalocatequina galato (EGCG), o chá verde está associado a aumento discreto da termogênese e da oxidação de gordura. “Ele pode estimular levemente o gasto energético e favorecer a utilização de gordura como combustível. É um bom aliado, desde que consumido com moderação”, orienta Mariane Alves.
2. Chá de gengibre
O gengibre possui compostos bioativos com efeito termogênico leve e pode auxiliar na melhora da sensibilidade à insulina. “Além de contribuir para o metabolismo, o gengibre ajuda na saciedade e no controle glicêmico, algo relevante na menopausa”, diz a nutricionista.
3. Chá de hibisco
Rico em polifenóis e antocianinas, o hibisco tem ação antioxidante e pode colaborar com a redução de gordura corporal e do inchaço. “O hibisco não é um acelerador metabólico potente, mas contribui para o equilíbrio metabólico geral e muitas mulheres relatam melhora na retenção de líquidos”, ressalta.
Cuidados com o consumo dos chás
Embora os chás possam oferecer um suporte adicional, Mariane Alves reforça que eles não substituem estratégias estruturadas. “Os chás são coadjuvantes. Se a mulher estiver sedentária e com ingestão proteica insuficiente, o efeito será praticamente imperceptível. O que sustenta o metabolismo é músculo, sono adequado e alimentação equilibrada”, ressalta.
Ela também alerta para o consumo excessivo de bebidas estimulantes, especialmente em uma fase da vida marcada por maior incidência de ansiedade e distúrbios do sono. “Cada organismo reage de uma forma. O ideal é personalizar. A menopausa não é um período de restrição extrema, mas de ajustes inteligentes”, conclui.
Por Beatriz Pinheiro